A secretária de Estado norte-americana apelou hoje ao exército sírio para colocar em primeiro ligar o interesse do país, apelou à calma no Afeganistão e disse que a política dos EUA face ao Saara ocidental se mantém inalterável.
“Exortamos os membros do exército sírio a colocar em primeiro lugar o interesse do país”, disse Hillary Clinton durante uma conferência de imprensa em Rabat, no final de uma curta visita oficial a Marrocos.
“Continuamos a acreditar que o círculo que rodeia [o Presidente Bachar al-Assad] está inquieto devido aos ataques brutais que decorrem (…) e todos os sírios devem trabalhar em conjunto na busca de um futuro melhor”, sublinhou, ladeada pelo seu homólogo marroquino Saadedín Otmani.
Numa referência aos protestos no Afeganistão que se prolongam há seis dias, na sequência da incineração numa base militar norte-americana de exemplares do Corão, a chefe da diplomacia de Washington considerou que “a violência deve terminar”, apesar de ter “lamentado” os acontecimentos.
“No entanto, também acreditamos que a violência deve terminar para que prossiga a dura tarefa de construir um Afeganistão mais pacífico e seguro”, disse.
Clinton também tranquilizou os seus anfitriões marroquinos, ao sublinhar que a posição de Washington “não se alterou” face ao conflito no Saara ocidental, após qualificar de “sério, realista e credível” o plano de autonomia proposto por Marrocos.
“A nossa política não se alterou” e “apoiamos todos os esforços para alcançar uma solução mutuamente aceitável” e que garanta “o respeito pelos direitos humanos”.
A secretária de Estado norte-americana elogiou os esforços do enviado especial da ONU para o Saara ocidental, Christopher Ross, e sustentou que o plano de autonomia marroquino para a ex-colónia espanhola “responde ás necessidades do povo sarauí para gerir os seus assuntos e viver com dignidade e paz”.
A Frente Polisário, o movimento independentista que desde 1975 contesta a anexação desta região por Marrocos, não aceita este plano de autonomia e propõe um referendo sobre a independência do território.
Numa referência às reformas políticas internas anunciadas pelo rei Mohammed VI em 2011 (que incluíram alterações constitucionais e eleições legislativas antecipadas), Clinton definiu a experiência marroquina como “um bom modelo na região árabe”.



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