Timor Leste
D.R.Passaram-se duas décadas, mas em Timor Leste ainda ninguém esqueceu os acontecimentos de 1991
Hoje, do outro lado do mundo, numa pequena ilha que já foi portuguesa, o dia é celebrado com a mesma intensidade que a data da independência tem no coração deste povo. A diferença é no sabor das lágrimas. Hoje têm um sabor amargo.
Hoje, e em todos os 12 de Novembro que se seguiram ao massacre, os timorenses assomam ao cemitério para recordar quem perderam. Choram, rezam, acendem velas, fazem oferendas aos que partiram e agradecem-lhes terem dado a vida pela independência de Timor-Leste. Desta vez não há gritos nem pânico, nem armas em punho nem sirenes, mas o ambiente é de dor. É impossível olhar para a entrada e não recordar as centenas de jovens a fugir dos tiros. É impossível estar na capela e não recordar rostos de crianças e mulheres a rezar em português. No cemitério há demasiadas cruzes e demasiados nomes de jovens escritos nas campas.
Para assinalar a data, Max Stahl realizou o filme “Timor à Procura”. A obra mostra, passo a passo, todos os momentos do massacre de Santa Cruz e a procura dos restos mortais das vítimas que até hoje, 20 anos depois, ainda não foram encontrados. “Este filme começou a ser feito há três anos e foi uma oportunidade para fazer uma pesquisa sobre o que realmente aconteceu naquele dia”, disse à agência Lusa o jornalista.
Ontem os habitantes de Díli já puderam assistir a esta película, mesmo em frente ao palco de todo o massacre. Hoje “Timor à Procura” será projectado no Palácio do Governo. Tudo para recordar e para não deixar cair no esquecimento.
O massacre de Santa Cruz foi há 20 anos, mas os timorenses ainda sentem essa dor como se tivesse sido ontem, hoje, agora. Há dois anos, José Ramos Horta, presidente da República de Timor-Leste, disse, durante as comemorações do 18.o aniversário do massacre, que “perdoar não significa esquecer, significa resistir a sermos reféns da dor que nos consome a vida”.



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