O Banco Central Europeu (BCE) vai assumir perdas na reestruturação da dívida grega, que Atenas está a negociar, noticiou hoje o jornal Wall Street Journal, afirmando que a cedência do banco vai ajudar Atenas a receber um novo resgate.
O BCE, um dos maiores credores gregos, concordou "trocar as obrigações de tesouro que comprou no mercado secundário no ano passado, abaixo do valor facial, desde que as conversações para a reestruturação da dívida tenham êxito", disse o jornal, que cita fontes próximas das negociações.
De acordo com o jornal, o BCE aceita perder os juros das obrigações da dívida grega que a instituição comprou ao abrigo do programa de compra de dívida soberana no mercado secundário, que teve início nos primeiros dias da crise na zona euro.
Até agora, o BCE tinha insistido em receber o cupão (juros) por inteiro e, segundo o jornal, ainda não está confirmado se o banco vai trocar as obrigações que comprou abaixo do valor facial ou se vai exigir ter um lucro.
O BCE tinha, até agora, vindo a exigir o pagamento completo da dívida e, caso se confirme a cedência, permitirá à Grécia beneficiar do desconto entre o valor de compra e o valor facial, em vez de ser o banco a fazê-lo.
De acordo com o Wall Street Journal, a medida poderá significar uma poupança para a Grécia de 11 mil milhões de euros, a diferença entre o preço de compra pelo BCE e o valor facial, mas poderá ser menor se o banco central exigir ter lucro na operação.
A Grécia está a negociar com os credores privados a reestruturação da dívida, com Atenas a pedir aos bancos, seguradoras e fundos que aceitem imparidades de cerca de 200 mil milhões de euros de dívida pública grega que têm em carteira, permitindo assim ao país reduzir o total da dívida, dos 160 por cento do Produto Interno Bruto previstos para 2020 para 120 por cento.
Texto final do acordo de resgate entregue aos partidos para aprovação
O texto final do segundo plano de resgate negociado entre o governo grego e os representantes da União Europeia e Fundo Monetário Internacional (FMI) foi hoje entregue aos líderes dos três partidos da coligação governamental, para aprovação.
A revelação foi feita pelo partido conservador Nova Democracia, segundo o qual a avaliação do texto será feita pelos três líderes partidários durante uma reunião a realizar durante o dia.
Inicialmente, o encontro, em Atenas, entre os líderes dos partidos com o chefe do Executivo, Lucas Papademos, esteve marcado para as 13:00 (11:00 de Lisboa) mas foi entretanto adiado para as 15:00 (13:00 em Lisboa).
Os últimos retoques no texto, que tem 50 páginas, foram feitos durante a noite, nas derradeiras negociações entre o primeiro-ministro grego, Lucas Papademos, e a "troika" representada pelos credores públicos da União Europeia e do FMI.
De acordo com notícias difundidas pela agência Associated Press, os credores privados da dívida grega afirmaram, na terça-feira, que se verificaram progressos quanto a um acordo, após as reuniões paralelas realizadas esta semana.
A reunião sobre o documento final devia ter terminado na segunda-feira mas foi sucessivamente adiada.


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