O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, disse domingo que o seu governo está a negociar os termos para uma presença dos Estados Unidos a longo prazo no país, que envolve tropas americanas.
Os Estados Unidos estão a retirar este ano um total de 10 mil soldados do Afeganistão e vão deixar no terreno 91 mil soldados no próximo ano. Cerca de 23 mil militares deverão deixar aquele país até ao final de setembro de 2012.
"Estamos a negociar com os EUA uma parceria duradoura", afirmou Karzai em declarações à CNN a partir de Cabul, ao explicar que essas negociações poderão traduzir-se na "presença de algumas tropas americanas no Afeganistão durante a vigência do acordo alcançado, com o apoio do Afeganistão, o treino e capacitação das forças afegãs".
Mas o presidente afegão alertou que o número de tropas americanas que permanecerá no país dependerá dos termos do acordo a alcançar.
A coligação internacional liderada pelos Estados Unidos "foi capaz de dotar o Afeganistão de estabilidade política nos últimos 10 anos", salientou Karzai, referindo, porém, que os governos afegão e norte-americano foram incapazes de "oferecer segurança ao povo afegão" e que isso "ainda terá de ser" garantido.
O responsável disse também à CNN que o seu governo não poderá desenvolver negociações de paz com os talibã a não ser que os rebeldes apresentem um representante autorizado.
A morte, em setembro, do negociador de paz afegão Burhanuddin Rabbani "deixou-nos em choque com o reconhecimento de que estávamos afinal a falar com ninguém, que os que se envolveram no processo de paz eram assassinos, terroristas em vez de negociadores".
Rabbani foi assassinado na sua casa em Cabul por um bombista suicida.
"Explicámos que uma abordagem dos talibã deverá ser clara no sentido de ser percetível que o seu representante é autorizado e representa, de facto, o movimento talibã", disse Karzai, realçando que o vizinho Paquistão tem um papel importante a desempenhar devido à presença dos rebeldes nesse país.
"Eles [talibã] operam a partir daí [Paquistão]. E um verdadeiro processo de paz não poderá correr bem e conseguir resultados satisfatórios sem a participação e ajuda do Paquistão", concluiu.



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