O reconhecido juiz espanhol Baltazar Garzon foi hoje proibido de exercer durante 11 anos pelo Tribunal Supremo de Madrid, no âmbito de um caso relacionado com alegadas escutas ilegais.
O veredicto do Tribunal Supremo foi aprovado por unanimidade pelos sete magistrados que conduziram o processo.
Garzon é acusado de ordenar escutas ilegais numa prisão a conversas entre arguidos num mega-processo de corrupção e advogados.
A instância sustentou que Garzon, ao ordenar as gravações, adotou uma resolução injusta e restringiu o direito de defesa dos imputados na prisão.
Advogado diz que Baltazar Garzón está “desolado”
O advogado de Baltasar Garzón no processo das escutas do “caso Gürtel”, Francisco Baena Bocanegra, disse hoje à agência EFE que o seu cliente está "desolado" com a condenação do Tribunal Supremo.
Em contacto telefónico para Cadiz, onde se encontrava por motivos profissionais, Baena disse que Garzón lhe telefonou para lhe dizer que o Tribunal Supremo tinha acabado de o condenar a 11 anos de impedimento do exercício da magistratura, o que pressupõe a sua expulsão da careira judicial, e que o encontrou “abatido”.
"Podemos imaginar a situação: uma vida inteira dedicada à magistratura e de repente dizem-te que acabou tudo… É para estar abatido. Confesso que partilho a sua tristeza e dor”, acrescentou à EFE.
Quanto à sentença, Baena disse que discorda “profundamente”, porque sempre manteve que o seu cliente só podia ser absolvido.
O advogado adiantou que vai estudar a sentença e que “se o seu conteúdo o permitir” recorrerá ao Tribunal Constitucional e ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos.
“Mas isso depende de um estudo pormenorizado da sentença e, sobretudo, da vontade do meu cliente”, concluiu.



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