Surtos têm mortalidades até 89%
Novo tipo de imunização com vírus sintético pode ser conservada durante mais tempo e é eficaz
Investigadores da Universidade do Arizona e do exército norte-americano conseguiram demonstrar a eficácia de uma nova vacina contra o vírus do Ebola, que poderá ser guardada durante mais tempo e fazer parte de kits nacionais de emergência contra terrorismo biológico. O trabalho publicado esta semana na revista científica “Proceedings of National Academy of Sciences” revela que a vacina, tal como as que usam vírus verdadeiros neutralizados, parece proteger 80% dos casos letais. Mas como é produzida com vírus sintéticos, poderá ser armazenada durante mais tempo.
Os investigadores lembram que o possível uso intencional deste vírus contra populações humanas levou ao desenvolvimento de vacinas que possam ser incorporadas em stocks nacionais destinados a reduzir a ameaça. Esta é uma das primeiras alternativas testadas, para já em ratinhos, e parece apontar para o caminho certo. O vírus do Ebola foi identificado no Zaire, em 1976, num surto que infectou 318 pessoas e matou 88%. Desde então surtos em países como Gabão, Congo ou Uganda têm tido mortalidades elevadas, entre os 25% (Uganda, 2007) e os 89% (Zaire, 2002). Charles Arntzen, especialista em biotecnologia citado pela BBC, diz que esta vacina mantém-se estável durante mais tempo. Além disso, terá um melhor custo-benefício. Os vírus capazes de provocar febres hemorrágicas, como é o caso do Ebola, estão classificados entre os agentes mais ameaçadores num cenário de bioterrorismo, a par do antraz e do vírus da varíola. M. F. R.



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