O Governo Regional concluiu hoje que a chanceler Ângela Merkel não entende "os desígnios" de uma Europa "justa", "solidária", "unida" e "fiel" aos fundadores e que devia centrar as suas preocupações na busca de "uma luz no fundo do túnel".
Na reunião semanal, o Conselho de Governo emitiu um esclarecimento que foi lido pelo vice-presidente do Governo Regional, João Cunha e Silva, que estava ladeado por todos os membros do executivo, sobre as declarações da chanceler alemã.
"As declarações da chanceler Merkel são próprias de quem não entende os desígnios de uma Europa que deveria ser justa, solidária, unida e fiel aos princípios dos seus fundadores", disse o vice-presidente do Governo Regional.
Numa palestra com estudantes, Angela Merkel sublinhou que na região autónoma da Madeira as verbas "serviram para construir túneis e autoestradas, mas não para aumentar a competitividade".
"As declarações da chanceler são próprias de quem não conhece as dificuldades de um cidadão europeu, que até há bem poucos anos precisava de três horas para se deslocar em pouco mais de sessenta quilómetros do seu território, e que está permanentemente limitado pela exiguidade das barreiras físicas que a Natureza lhe impõe", refere o esclarecimento.
"Pena que, na sua alocução aos jovens do seu país, a chanceler, Angela Merkel, não tenha explicado como é que Alemanha, por altura da reunificação, ultrapassou as enormes diferenças estruturais entre Leste e Oeste, ou, por que razão, construiu as melhores vias de comunicação da Europa", observa.
O Governo Regional considera ser, "no mínimo surpreendente" que "a chanceler alemã tenha elegido, gratuitamente, como exemplo uma pequena região ultraperiférica, isolada no Atlântico, com pouco mais de duzentos mil habitantes, sem continuidade territorial com o continente europeu e distante dos centros de decisão" num quadro de convulsões sociais na Europa.
"Logo a Madeira que sempre foi elogiada pelas mais destacadas instâncias europeias como o melhor dos exemplos da boa aplicação dos fundos estruturais, tendo até sido atribuído uma "reserva de eficiência" como prémio pela sua boa execução e, de todas as 271 regiões da União Europeia, a que mais cresceu, no mais curto espaço de tempo, passando de cerca de 40 para 103 % do PIB da média comunitária", realça.
O esclarecimento frisa ser "ponto assente que, na Madeira, o Governo Regional aplicou as verbas europeias cumprindo o objetivo e o propósito para que foram concedidas, ou seja, para diminuir o défice infraestrutural existente" e cumprindo "as orientações e os paradigmas definidos pela União Europeia".
O Governo diz não ter feito mais porque "a Europa retirou verbas fundamentais" para consolidar o desenvolvimento da Madeira enquanto insiste "em premiar aqueles que desperdiçam as verbas recebidas, mantendo de forma estagnada os mesmos indicadores de desenvolvimento".
O Governo recorda que "a Madeira foi pioneira na Europa no apoio aos custos de funcionamento das empresas, alocando 66 milhões de euros para o efeito" e que injetou "nos últimos quatro anos cerca de 140 milhões de euros no tecido empresarial da Região".
Face às preocupações da chanceler com a competitividade da economia da Madeira, o Governo Regional da Madeira anuncia que "usará da influência dos representantes da Região, em Bruxelas, para apelar à superior intervenção da senhora Angela Merkel junto da Comissão Europeia, com o intuito de solucionar a questão dos benefícios fiscais do Centro Internacional de Negócios da Madeira".
E a propósito de "túneis", lembra que "é de "uma luz no fundo do túnel" que todos os cidadãos europeus anseiam", concluindo ser nesse desígnio que "na qualidade de líder da maior potência económica da Europa, a chanceler alemã deveria centrar todos os seus esforços".
"A bem da Europa. E dos europeus. Sejam ricos, sejam pobres", finaliza.



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