Estudo publicado no “British Medical Journal” analisou resultados sobre 49 mil condutores
Conduzir até três horas depois de ter consumido canábis corresponde a um risco duas vezes superior de ter um acidente de viação. Um estudo publicado pela Universidade Dalhousie, no Canadá, reviu nove estudos sobre a associação entre a sinistralidade rodoviária e o uso de canábis e pretende pôr fim à ambiguidade que ainda existe nesta matéria. Numa amostra de 49 mil condutores, concluem que o risco de colisão grave é duas vezes superior e o risco de colisões sem vítimas mortais é 1,7 vezes superior ao dos condutores sem qualquer efeito de álcool ou substâncias psicotrópicas.
No artigo publicado na BMJ, os autores confirmam ainda assim que o álcool tem um impacto superior na sinistralidade, sendo que concentrações acima de 0,8 g/ml estão associadas a um risco de acidente 2,6 vezes superior, agravado nos condutores com menos de 35 anos. Mas alertam que o álcool tem sido alvo de mais políticas de dissuasão do que a canábis, das drogas em que o consumo mais tem aumentado. Tendo em conta os dados para Portugal, do extinto Instituto da Droga e Toxicodependência, entre 2001 e 2007 registou-se um aumento do consumo ao longo da vida de 7,6% para 11,7%, ou seja dez em cada 100 portugueses já experimentaram canábis. O uso nos últimos 30dias fixou-se nos 2,4% na população total e 4,7% nos jovens adultos. Segundo o Instituto Nacional de Medicina Legal, em 2010 26% dos condutores autopsiados tinham níveis de álcool acima do permitido e em 7,1% das vítimas foram detectas substâncias psicotrópicas. M. F. R.



Comente este artigo