Berlim não abdica das suas posições e desdobra-se em comentários para condicionar cimeira
Francois Lenoir/ReutersA Alemanha avisa na véspera da cimeira europeia decisiva para salvar o euro que não aceita nenhum “falso compromisso” e que não abre mão do rigor orçamental
Berlim não abdica das suas posições e desdobra-se em comentários para condicionar cimeira
Francois Lenoir/Reuters
A cimeira europeia ainda não começou mas a guerra de bastidores em algumas chancelarias europeias está ao rubro.
“Vamos estar envolvidos em discussões muito exigentes e momentos muito difíceis” na quinta e sexta-feira em Bruxelas, declarou ontem o porta-voz de Angela Merkel, Steffen Seibert, em conferência de imprensa.
Antes desta declaração, uma fonte próxima do governo manifestou-se “pessimista quanto à possibilidade de se obter um acordo total”. O governo está agora “mais pessimista do que na semana passada” quanto a um acordo em redor das propostas franco-alemãs para alterar os tratados e criar uma união orçamental que obrigue os Estados-membros a controlar as suas contas públicas, sob pena de sanções automáticas”, disse a fonte.
“Um certo número de parceiros ainda não percebeu a gravidade da situação”, acrescentou, explicando: “esses parceiros são “Estados, mas também instituições”.
A fonte criticou sob anonimato as propostas feitas pelo presidente da UE, Herman Van Rompuy, e pelo presidente da Comissão europeia, Durão Barroso, pela sua proposta de emissão de obrigações europeias.
Os conselheiros do governo disseram que a Alemanha propõe uma modificação ligeira do Tratado de Lisboa para permitir evitar os complicados processos de ratificação dos referendos.
Já antes, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, tinham enviado uma carta ao presidente do Conselho Europeu detalhando as suas propostas para salvar o euro, que incluem a punição imediata dos países mais despesistas.
Na carta, defendem que os governos que permitirem que os défices superiores a 3% do PIB (Produto Interno Bruto) devem ser alvo de sanções automáticas. Paris e Berlim confirmam que o Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira (MEEF) terá de funcionar em 2012, um ano antes do previsto, para “enfrentar as ameaças à estabilidade da zona euro, incluindo o risco de contágio a outros” membros. O par recusa que o Fundo de Estabilidade Financeira Europeu (FEEF) coexista com o novo instrumento financeiro que será dotado com um capital de 500 mil milhões de euros.
Entretanto, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, foi ontem fortemente pressionado pela oposição no parlamento e pelos eurocépticos do seu próprio partido. Cameron prometeu à Câmara dos Comuns salvaguardar os interesses britânicos e insistiu que quer obter “mais poder e controlo” para o Reino Unido para proteger a City - a praça financeira londrina, e que quanto mais os outros países exigirem no conselho mais ele exigirá para Londres. O chefe de governo terá dito ao seu gabinete que o referendo sobre a Europa é agora inevitável.
Angela Merkel fez já saber que não tem nada planeado para o fim de semana, dando a entender que está disposta a alargar as conversações.
Após a reunião do conselho da UE a 27, o eixo franco-alemão quer uma reunião restrita com os 17 membros da moeda única. “Não se trata de uma zona euro exclusiva”, assegura Berlim. “Todos estão cordialmente convidados” a submeter-se às suas exigências de rigor, ironizam os conselheiros da chanceler.
Londres dá voz aos que pensam que os 10 países sem euro vão ficar isolados na União europeia.


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