Jorge Sampaio
D.RJorge Sampaio disse hoje no Qatar que o IV Fórum da Aliança das Civilizações é o encontro dos três “’Ds’ : Desenvolvimento, Democracia e .. Doha”.
O alto representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações apelou à tolerância, ao conhecimento entre culturas e defendeu o “diálogo intercultural como promoção para o desenvolvimento”, sobretudo no mundo após os atentados de 11 de Setembro.
Como todos os outros intervenientes da sessão inaugural do IV Forúm das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações referiu-se aos acontecimentos da Primavera Árabe para aconselhar desenvolvimento e democracia na região.
Ao contrário do esperado, o emir do Qatar, Hamad Bin Jalifa al Zani, não discursou mas foi representado pelo vice-primeiro-ministro, Abdullah Bin Hamad Al-Attiyah, que disse que o “Estado do Qatar está interessado em promover o diálogo entre civilizações também a educação porque a educação conduz à tolerância entre culturas e garantir o aproximação das culturas e das religiões”, referiu Hamad Al Attiyah que acrescentou “que a juventude tem o poder de mudar e criar coisas novas e Primavera Árabe é a prova dessas mudanças”.
O vice-primeiro ministro do Qatar disse ainda, referindo-se às transições no Magreb, que é preciso “criar um plano de soluções para se atingir os objetivos de forma coletiva para que haja justiça social para todos”.
O representante do Brasil, país que recebeu o fórum em 2010, o vice-presidente Michel Temer, falou do povo palestiniano e da necessidade de haver pontos em comum entre as duas partes em conflito, e Manuel Chavez, vice-presidente do Executivo de Madrid, e que representa no fórum o chefe do Governo espanhol recordou o papel de José Luís Rodriguez Zapatero que, na sequência dos atentados de Madrid, em 2004, defendeu junto das Nações Unidas a necessidade de um encontro de civilizações e de tolerância entre religiões e culturas.
Os pontos em comum nos discursos de abertura são a defesa do incremento do papel das mulheres nas sociedade islâmicas e dos jovens, sobretudo aqueles que protagonizaram a Primavera Árabe, no Norte de África, este ano.
“Falam todos de mulheres e de jovens mas só vejo homens velhos e nenhuma mulher, nesta sessão de abertura”, desabafa uma sérvia de origem inglesa, membro de uma organização governamental com base em Londres.
“Deviam ter convidado mulheres para a abertura e jovens 'bloguers' da Tunísia e do Egipto”, conclui no final da sessão de abertura marcada pelo discurso do primeiro-ministro turco que, apesar de não estar presente por motivos de sáude, enviou uma mensagem gravada em vídeo fortemente aplaudida quando se referiu à defesa do povo palestiniano e atacou aquilo a que chamou “terrorismo de Estado” que bombardeia civis inocentes.



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