Celebração do Natal
ReutersSe há mesa em Portugal que, de certeza absoluta, estará recheada com os melhores pratos e doces é a de Maria de Lourdes Modesto. A gastrónoma e mãe da bíblia da cozinha nacional “Cozinha Tradicional Portuguesa” conhece bem os doces de Natal e não foi difícil escolher uma receita. Vanda Marques pediu a autora que elegesse o seu doce preferido e a alentejana confessou que não resiste aos bolinhos de jerimu, típicos da consoada minhota
rimeiro uma explicação. Antes de pensar que jerimu é um fruto exótico que dificilmente se encontra no mercado, saiba que se trata da palavra minhota para a abóbora que conhecemos com o singelo nome de abóbora-menina e que pode ser encontrada por todo o país.
Os bolinhos à base desta abóbora são presença assídua na consoada minhota e na de Maria de Lourdes Modesto. “Escolhi os bolinhos de jerimu porque quis dar uma boa receita aos leitores. Eu sou alentejana, e das doçuras alentejanas as azevias de grão são as minhas preferidas. A minha afeição pelos bolinhos de jerimu ou de bolina, como lhe chamou Ramalho Ortigão, é tardia. Já tinha 30 anos quando os conheci. Foi uma espécie de amor à primeira vista que se tornou duradoiro”, explica.
A gastrónoma conta que a receita lhe chegou de Braga e que estes bolinhos se tornaram indispensáveis na consoada. “Quando penso Natal, quanto a guloseimas, é neles que penso e cresce-me logo a água na boca. Só os faço na época natalícia.” E acrescenta mais uma explicação histórica: “Quero lembrar que, no Alentejo, a palavra consoada é uma recém- -chegada àquelas terras. Para nós, alentejanos, é a Ceia do Menino Jesus, que só se come depois da Missa do Galo, e imperam as carnes de porco fritas.” Quanto ao peso dos doces no Natal, esclarece: “Esta é a mais importante festa do ano para os cristãos, mas lá que o Natal é a festa da guloseima, não tenho dúvidas.” Por isso, aproveite.



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