Renault
D.R.A Renault aposta forte na mobilidade eléctrica e acaba de lançar dois modelos que não lançam emissões poluentes na atmosfera. O Fluence ZE e o Kangoo ZE chegam em Janeiro
A Renault apresentou à imprensa no início desta semana os seus primeiros carros inteiramente movidos a electricidade a chegarem ao mercado nacional. Trata-se do Fluence, uma berlina tricorpo de passageiros, e do Kangoo, um veículo comercial ligeiro, ambos já conhecidos em versão de motor térmico e com uma designação que se distingue pelas letras “ZE”, de Zero Emissões.
Comecemos pelo Fluence ZE, um automóvel que já testámos na versão de motor térmico em 14 de Maio de 2010 e que estará disponível para entrega a partir do início de Janeiro.
Vai ser comercializado em duas versões de equipamento, Expression e Dynamique, a primeira disponível por 21 600 euros e a segunda por 22 700 euros, contando já com o incentivo fiscal de 5 mil euros pagos pelo Estado. Acrescente-se, no entanto, que no caso da Renault as baterias não são compradas juntamente com o automóvel, mas sim alugadas, pelo que ao preço indicado há que acrescentar uma renda mensal de 82 euros, o que custa o aluguer da bateria para uma utilização de 10 mil quilómetros por ano com assistência incluída.
como funciona Apesar de já muito se ter escrito sobre os automóveis eléctricos, sobre híbridos e sobre automóveis eléctricos com extensor de autonomia, ainda há muita confusão, pelo menos a termos em conta os comentários de vários leitores nos sites dos jornais que publicam notícias sobre o assunto.
O Fluence ZE é um eléctrico puro, dotado com um motor eléctrico com 95 cv de potência e 226 Nm de binário montado sobre o eixo dianteiro. Na traseira possui uma bateria de iões de lítio com o peso de cerca de 280 kg, que lhe proporciona uma autonomia máxima de cerca de 185 km, no entanto só atingível em condições ideais de condução e temperatura exterior, sem ar condicionado ligado ou sem aquecimentos. Em condições normais, a autonomia desce para menos de 100 km, se se for de pata a fundo na auto-estrada, ou até aos 140 km numa condução descansada em estrada e cidade sem infringir os limites de velocidade legais. Em termos de condução, é exactamente como um veículo com caixa automática, à parte a ausência de ruído do motor (só se ouve mesmo o barulho dos pneus na estrada e o passar do vento) e o facto de não haver um conta rotações, mas sim um aparelho que indica a carga da bateria e o consumo que se está a ter instantaneamente, fornecendo dicas também para se fazer uma condução mais económica.
Como exemplo prático podemos dizer que saímos do Aeroporto de Lisboa em direcção à Quinta da Marinha, em Cascais, seguindo pelo interior da cidade e depois pela Marginal, tendo gasto um quarto da carga da bateria. Na volta utilizámos sempre auto-estrada ou via rápida, sempre no máximo que o carro nos permitia, e que nunca foi mais de 130/140 km/h, e gastámos exactamente o dobro da energia.
Qual então a vantagem destes carros sobre os de motor térmico? Exactamente o custo do quilómetro percorrido, que se fica por cinco a dez vezes menos que para um veículo de motor térmico, seja a gasolina seja a diesel.
Limitações? Claro, também há muitas. A primeira e a que mais marca os automobilistas é a autonomia. De facto, ainda não é possível fazer uma viagem mais longa, ou melhor, apesar de Portugal ser o país da Europa mais desenvolvido no capítulo de infra-estruturas para apoio à mobilidade eléctrica, ainda não é prático e se calhar viável parar duas vezes na auto-estrada para fazer uma carga. Mas a verdade é que há estudos rigorosos que chegaram à conclusão que cerca de 87% dos europeus não fazem mais de 80 km por dia. Assim sendo, basta deixar o carro a carregar durante a noite para não ter problemas. Também há muitas pessoas que não possuem garagem ou quintal e assim não poderão ter um carro eléctrico, a não ser que possam carregar a bateria no local onde trabalham. É verdade que a capacidade da bateria está intimamente ligada ao seu tamanho e peso. Seria possível fazer uma bateria com autonomia para mil quilómetros, mas seria tão grande e pesada que o carro não conseguiria andar.
Soubemos pelos responsáveis da Renault que há novos desenvolvimentos em estudo, mas de momento a tecnologia de iões de lítio é a mais barata e a mais eficaz e com os desenvolvimentos já conseguidos com esta tecnologia nos computadores portáteis, em telemóveis e afins nos últimos anos, não é se prever que se registem avanços espectaculares nos próximos quatro ou cinco anos.
Quem vai comprar? A Renault, que já aceita pré-reservas há uns meses, divulgou que dos 120 clientes interessados a maioria são particulares e querem o Fluence ZE. No entanto, sabemos que para o Kangoo ZE a esmagadora maioria dos clientes serão frotas, e apenas 20% dos interessados são pequenos comerciantes ou artesãos.
Refira-se que o Kangoo ZE vai custar entre 20 e 22 mil euros e não terá incentivo por ser um comercial. Está disponível na versão de carroçaria normal ou Maxi, a primeira com capacidade de 2,4 m3 e a segunda com capacidade de 4,6 m3, embora o peso admitido seja o mesmo: 650 kg. Tem um motor com a potência de 60 cv e a capacidade regenerativa da bateria é maior que no Fluence ZE. Para isso, o sistema está bastante mais travado, andando menos que o Fluence.



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