O Citroën DS5 vai chegar ao mercado português no início da próxima Primavera. Bem construído e refinado, é um executivo que gosta de exibir os genes de desportivo
A Citroën sempre foi uma marca conotada com a inovação, quer em soluções mecânicas quer estéticas. Sempre é um modo de dizer, porque a partir da década de 1990, grosso modo, passou por uma fase difícil que terminou com a entrada neste século. A sua actual família DS (depois do lançamento do DS3 e do DS4 complementa--se com o DS5) quer fazer lembrar a série DS do final dos anos 50, que foi, verdadeiramente, uma enorme pedrada no charco, não só pelas linhas diferentes de tudo o que até então existia, como pelas soluções mecânicas, nomeadamente a nível das suspensões. Não é essa a filosofia da nova família DS, mas a verdade é que o DS5 é um automóvel apaixonante, de cinco portas, cinco lugares, com mais de 4,5 metros (é mais pequeno 25 cm que o C5). Virá equipado com motores Diesel e gasolina, com potências entre os 112 e os 200 cavalos, não faltando mesmo um híbrido diesel com o sistema de tracção eléctrica no eixo traseiro e tracção diesel no eixo dianteiro.
A bordo, a vida é boa e confortável, porque tudo está bem desenhado e os materiais (couro, alumínio escovado e plásticos são de excelente qualidade). Não fora o volante, um pouco grande de mais e com a parte de baixo plana (dá jeito para entrar no carro, mas não dá grande gozo e até atrapalhará alguns quando a pega se tiver de fazer nesse sítio), diríamos que é tudo quase, quase perfeito.
É verdade que o sistema display não é como o das marcas premium, aparecendo as indicações numa pequena placa de acrílico que se levanta em frente aos olhos do condutor no topo do painel frontal, em vez de aparecerem projectadas no próprio pára-brisas, mas sabe-se que este sistema é mais barato e são alguns desses pormenores que permitem que o DS5 seja também mais barato que os modelos correspondentes das marcas premium.
Em andamento pode dizer-se que o gozo é ainda maior. Tivemos oportunidade de testar o DS5 na zona de Cannes e Mónaco, com uma boa volta pelas estradas das montanhas sobranceiras, estreitas e encaracoladas e o resultado foi um enorme prazer. O DS5 curva muito bem, trava eficazmente e apesar dos 1,80 metros de largura insere-se de curva quase como uma enguia. Isto para a caixa manual de seis velocidades, porque na variante Hybrid4 que testámos (motor Diesel 2.0 do 160 cv com motor eléctrico no eixo traseiro de 37 cv), a caixa manual pilotada de seis marchas é demasiado lenta e tira uma boa parte da graça ao automóvel.
O nível de equipamento é verdadeiramente superior, com quase tudo e um par de botas (expressão de que gosto bastante para qualificar uma coisa que me agrada muito). Já agora, para que não restem dúvidas, quando no título se afirma que este DS5 é mais um desportivo alemão do que um familiar francês, estamos a referirmo-nos às suas altas qualidades de estradista, o que não lhe permite ter aquele conforto molezinho das suspensões hidroactivas. Aqui o conforto está bem presente, mas é um conforto firme. Não, o Citroën DS5 não é uma tábua de engomar de um desportivo a sério, mas também não é um berço. Está a meio caminho e é essa afinação conseguida pelos técnicos da marca do Double Chevron que dão todo o encanto dinâmico a este automóvel.
Uma última referência à suas linhas, somente para frisar o que se pode ver nas fotos: o DS5 é um carro que cruza vários conceitos. Tem a posição de condução alta, o espaço interior de uma berlina familiar, o luxo de um executivo e a traseira de um coupé. Uma combinação que merece ser ganhadora.



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