Por Jorge Bateira
publicado em 21 Fev 2013 - 03:00

Vencer o medo que nos paralisa

A economia da França está estagnada, muito provavelmente a caminho da recessão. O seu presidente reconhece que já não vai cumprir o que prometera em campanha eleitoral, em 2013 o défice das contas públicas não vai ser de 3%. Como diz o “Le Monde” (14 Fevereiro), “um ano após a publicação dos seus 60 compromissos, François Hollande acaba de enterrar o número nove”. Para quem depositou tantas esperanças na eleição de François Hollande, imagino que os socialistas portugueses estejam a meditar no significado deste fiasco político.

Em carta aos líderes da troika, o secretário-geral dos socialistas portugueses recusa a estratégia da “austeridade expansionista” que nos conduziu ao desastre financeiro, económico e social. Mais, e a meu ver bem, insiste na ideia de que sem crescimento económico e emprego não haverá “consolidação orçamental” nem se consegue pagar a dívida à troika. Como diz na carta, é uma questão de realismo. O que já não é realista é imaginar que juros mais baixos e mais tempo para reduzir o défice e pagar esta dívida, gerando “um ambiente amigo do crescimento económico”, nos tiram do buraco em que caímos. De facto, mesmo que tal fosse admitido pela UE sem outras “condicionalidades”, não bastaria suavizar a austeridade para voltarmos ao crescimento. Infelizmente, esta ideia de que os défices, em si mesmos, são maus foi assimilada pela Terceira Via de Tony Blair, tal como outros princípios centrais da política económica neoliberal centrada na oferta. Aceitando esta doutrina, aliás instituída nos tratados da UE, os partidos social-democratas europeus têm dificuldade em perceber que estamos perante uma enorme crise de procura agregada, uma crise que os erros da política económica europeia só agravaram. Os mais altos dirigentes socialistas não vêem que a política imposta pelo Tratado Fiscal Europeu impede os estados-membros de adoptar políticas criteriosas de relançamento da procura interna, as únicas que poderiam estimular o crescimento económico nesta conjuntura, como está à vista nos EUA e na América Latina. As elites da social-democracia europeia estão longe de perceber o essencial: não há saída para a situação em que nos encontramos apenas com medidas de apoio ao investimento privado.





 

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