Por Jornal i
publicado em 29 Dez 2011 - 03:00

Os talibãs da Nigéria
<ENTRADA><P>Foi a Boko Haram que reivindicou os três atentados que ocorreram no dia de Natal na Nigéria. Este grupo surgiu na fronteira norte deste país em 2002</P> </ENTRADA>

A Boko Haram é um grupo do qual ainda pouco ouvimos falar. Contudo, se atendermos aos últimos acontecimentos na Nigéria, a tendência deverá ser outra. É sabido que nos últimos anos o Sahel tem vindo a tornar-se uma plataforma de projecção de violentas acções armadas de cunho islamita. Numa análise assumidamente redutora, podemos imaginar um triângulo: se no vértice norte temos o indefectível ramo da Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI), no vértice oriental está a al-Shabab da Somália, e agora, para completar este esquisso, temos no vértice ocidental a Boko Haram da Nigéria. Esta figura geométrica é atravessada por um corredor desértico e incontrolável conhecido por Sahel.

Foi a Boko Haram (expressão que, em hausa, significa literalmente “a educação ocidental é pecado”) que reivindicou os três atentados que ocorreram no dia de Natal na Nigéria. Este grupo, também conhecido como os Talibãs da Nigéria, surgiu na fronteira norte deste país em 2002, pela mão do clérigo Mohammad Yusuf, morto em 2009. Predica uma ideologia e um ódio antiocidental semelhante aos dos talibãs paquistaneses e afegãos, muito embora não haja entre eles um reconhecimento oficial dos líderes religiosos. Neles está latente a derrocada violenta do governo e um apelo à aplicação da xaria (lei islâmica) em todo o território nigeriano.

No país mais populoso de África, rico em petróleo e em conflitos intercomunitários, a Boko Haram foi ganhando terreno na permeabilidade da violência étnica e sectária. Acabou por conseguir a atenção do mundo ocidental em 2008, aquando do envolvimento nos confrontos entre cristãos e muçulmanos em Jos, dos quais resultaram centenas de mortes.

A 16 de Junho deste ano levam a cabo o primeiro atentado suicida contra um quartel da polícia em Abuja, a capital. A 26 de Agosto houve outro ataque suicida – com sabor internacional –, contra um edifício da ONU, também na capital. Morreram 20 civis. No início de Novembro uma vaga de violentos atentados a nordeste da Nigéria, dos quais resultaram cerca de uma centena de mortes, também teve a marca da Boko Haram. O último ocorreu no dia de Natal, saldando-se em cerca de quatro dezenas de mortes.





 

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