Por Jornal i
publicado em 1 Mar 2012 - 03:00

Al-Qaeda no Irão?
<ENTRADA><P>Saif al-Adel era um antigo coronel do exército egípcio que se tornou comandante operacional da Al-Qaeda</P></ENTRADA>

A notícia da captura do egípcio Saif al-Adel no aeroporto do Cairo, que se provou ser um logro, é o mote para este artigo. Se fosse verdade, teria sido um forte rombo no casco operacional da Al-Qaeda, é um facto. Mas este episódio veio alertar para as possíveis ligações entre as cúpulas liderantes deste movimento e o Irão. Passamos a explicar porquê.

Saif al-Adel (Espada da Justiça em árabe) era um antigo coronel do exército egípcio que se tornou comandante operacional da Al-Qaeda. Foi um homem do ciclo de confiança de Osama bin Laden, a ponto de, depois da sua morte, ter sido designado líder interino. À semelhança de outros líderes da Al-Qaeda, alegadamente viveu (vive?) sob custódia de Teerão.

É sabido que o Irão, desde a queda do regime dos talibãs no Afeganistão, acolheu diversos membros de topo da Al-Qaeda. A presença de cúpulas qaedistas neste país vem sugerir ainda alguma vitalidade da organização, não obstante a flagelação que tem sofrido. Todavia, o nosso optimismo pode cair por água se considerarmos que, por razões puramente estratégicas, Teerão pode passar a apoiar a jihad global. Nada de novo, pois as guerras por procuração têm sido formas tradicionais da diplomacia iraniana. Naturalmente não falamos de um modelo de influência directa, como é no caso do Hizzballah, no Líbano, ou do Hamas, em território palestiniano. Até porque as relações entre o Irão e a Al-Qaeda sempre foram antagónicas, nomeadamente pela questão religiosa – os primeiros são xiitas, os segundos sunitas e salafistas. Ou então, se quisermos, basta lembrarmo-nos dos ataques aos xiitas no Iraque.

Falamos sim de uma cooperação estratégica, que, no momento de hoje, seria altamente benéfica para os dois. Ambos partilham os mesmos inimigos, ou seja, os Estados Unidos e aliados, como Israel, a Arábia Saudita ou o Reino Unido. Dito de outra forma, a manutenção de cúpulas da Al-Qaeda pode ser uma arma defensiva e ofensiva para Teerão. Defensiva porque evita ataques jihadistas no seu território e ofensiva porque, caso os Estados Unidos e Israel decidam atacar o Irão, a Al-Qaeda pode ser uma resposta de sucesso. Apoio logístico, armamento, abrigo e livre-trânsito para o Paquistão bastarão para que a capacidade operacional da Al-Qaeda dispare.





 

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