Por Jornal i
publicado em 21 Out 2011 - 02:00

O “ainda não” da Líbia

adhafi foi morto ontem em Sirte, a sua cidade e o seu bastião. Os 42 anos de regime já tinham terminado aquando da ocupação de Trípoli, no passado mês de Agosto. Agora, com a sua morte, espera-se o fim de uma determinada guerra civil que dura há largos meses. As forças rebeldes poderão dar o seu grito de vitória, é certo, mas não o de triunfo.
Para a transição de regime ainda há um longo e tortuoso caminho a percorrer. A ausência de sociedade civil e os vícios da “jamahiriya” (Estado de massas – sistema governativo instituído por Kadhafi) dificultarão em muito esse processo. Corremos o risco de a Líbia atravessar um vazio estrutural de poder que, a curto e a médio prazo, se pode tornar foco de uma maior instabilidade.
Devemos também considerar que, embora unido na deposição do líder líbio, as fórmulas governativas pós-Kadhafi poderão divergir no seio do Conselho Nacional de Transição. Mais ainda: se se tiver em conta a heterogeneidade sociopolítica dos rebeldes, que vão desde islamitas a profissionais liberais pró-democratas, esta realidade parece-nos mais evidente. Além disso, as diferenças regionais, étnicas e tribais poderão ser um factor de divergência. Resta agora saber quem vai garantir a segurança do processo de transição, uma vez que a NATO não está mandatada para o fazer.
No pior dos cenários teremos sempre como matriz o que aconteceu no Afeganistão e na Somália no início dos anos 90: depostos os anteriores regimes, as facções rebeldes lutaram também entre si para controlar o poder. No primeiro caso, a intervenção internacional foi inexistente, e no segundo pecou por tardia. Perante a dúvida de futuro político, resta-nos pois aprender com a história.
Investigador universitário





 

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