Com o Algarve chegamos ao fim deste roteiro gastronómico que tantas alegrias deu ao estômago e dissabores à linha. Diana Garrido despede-se, com pena, da rota dos sabores. Terminamos em grande, com pratos do Sul, a lembrar as férias
Arroz de Lingueirão
Há quem lhes chame canivetes, mas o seu nome verdadeiro é lingueirão, uma bicheza comprida, de concha desinteressante e capaz de cortar os pés mais desprevenidos dos veraneantes à beira mar. No entanto, estes primos das amêijoas e das conquilhas (também conhecidas como cadelinhas) são óptimos no prato. E como bons portugueses vai de fazer uma arrozada com os ditos. Malandro e apurado, como deve ser. O desafio é conseguir parar de comer antes que comece a parecer mal ou que o cinto tenha de ser desapertado.
Ingredientes
1 kg de lingueirão;
400 g de arroz;
1 dl de azeite;
100 g de cebolas;
2 dentes de alho;
1 folha de louro;
1 molho de coentros;
3 cravos de cabecinha (opcional);
4 tomates maduros frescos ;
1 pimento verde pequeno (opcional);
Azeitonas pretas;
1 dl de vinho branco seco;
sal e pimenta q.b.
Modo de preparação
Abra os lingueirões em água a ferver. Cuidado com os dedos. Retire os miolos e reserve o caldo. Limpe os lingueirões e corte-os em bocados. Faça um refogado com o azeite, a cebola e os alhos picados e deixe alourar. Junte o tomate cortado em cubos sem peles e sementes e deixe refogar mais um pouco. Para que a pele saia sem problemas, convém que escalde os tomates em água a ferver, mas sem se queimar, está a ouvir?
Junte o caldo do lingueirão passado por um passador fino para não ficar com areia, que só é boa na praia, debaixo da toalha. Nos dentes, vá lá, é dispensável. Tempere com sal q.b. e adicione o arroz agulha.
Deixe cozer durante, mais ou menos, 10 minutos, em lume brando e tapado. Junte os lingueirões cortados e continue a cozedura
do arroz por mais 4 ou 5 minutos. Sirva com coentros picados e decore com azeitonas à volta.
Dom Rodrigo
Ah, os doces conventuais, essa alegria tão grande, esse consolo para o estômago e a alma. Essa mistura de ovos com amêndoas e açúcar capaz de acelerar os corações dos gulosos. Este doce foi criado em Lagos, mas rapidamente se espalhou por todo o Algarve. E quem diz D. Rodrigo diz morgado de amêndoa, diz alcofinhas, queijinhos ou bolos de massa dura de amêndoa. Mas a receita é só de D. Rodrigo, está bem?
Ingredientes
350 g de fios de ovos
550 g de açúcar
75 g de amêndoas, picadas
6 gemas de ovos
canela em pó
1 copo de água
Pratas coloridas ou papel de alumínio e papel vegetal
Modo de preparação
Num tacho, leve ao lume os 300 g de açúcar coberto com água e deixe ferver, em lume brando, até obter uma calda em ponto de bola (ponha um pouco da calda dentro de um copo de água fria e se formar uma bola moldável está feito). Tire do lume, junte as amêndoas e deixe arrefecer um pouco. Não fique a olhar para o tacho à espera que esfrie; ponha uma música e dance um bocadinho. De seguida junte as gemas de ovos e leve ao lume até engrossar. Deite um pouco de canela para aromatizar. Com o resto do açúcar (os 250 g que ainda não usou) e um pouco de água prepare uma calda em ponto de fio (humedeça o polegar e o indicador com água fria; entre os dedos, pegue numa gota de líquido; se se formar um fio quando os une e afasta,
está feito).
Numa frigideira, deite uma colher de sopa desta calda e assim que começar a ferver junte 1/10 da porção de fios de ovos; sobre estes coloque 1/10 da porção anterior e enrole os fios de ovos em volta deste preparado. Deixe alourar e repita a operação até esgotar os ingredientes. Corte uns quadrados de folha de alumínio e de papel vegetal com cerca de 12 cm de lado e disponha no seu interior um dos doces. Em seguida junte as pontas e torça.



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