O espumante é um dos vinhos mais nobres que se produz em Portugal e é, talvez, o mais incompreendido de todos. De facto os portugueses não têm o hábito de o consumir regularmente, reservando-o para momentos de festa e, ainda por cima, bebendo-o mal. Estamos convencidos que a principal razão é o desconhecimento das suas potencialidades, da sua alta qualidade e, principalmente, das enormes polivalências deste vinho, capaz de acompanhar, na perfeição, (consoante o seu perfil) uma refeição desde a entrada até às sobremesas. O espumante natural é, de certeza, o vinho que necessita de mais mão--de-obra, com inúmeras intervenções desde que as uvas são esmagadas, até que chega ao copo, sempre com muitos meses, quase sempre anos, entre a vindima e o consumo.
A maior parte dos portugueses prefere os vinhos gasificados italianos de má qualidade aos espumantes naturais ou, igualmente mau, pede para acompanhar o leitão na Bairrada (também o berço de óptimos espumantes) vinho gasificado (vinho branco a que é adicionado gás carbónico como nas vulgares gasosas) perante a complacência dos responsáveis dos restaurantes que deveriam ter um papel mais didáctico e defensor dos bons produtos da sua terra.
Consuma-se obviamente espumante natural português, que os há para todas as bolsas e para todos os paladares. Publicamos em baixo notas de prova de espumantes das Caves do Solar de São Domingos, da zona da Bairrada. São todos eles vinhos de qualidade, com data de colheita (à excepção de um), num leque de preços que variam entre os cerca de 4 euros e os 16 euros, o mais caro e o topo de gama da casa.
Para a semana voltaremos a este tema com vinhos espumantes naturais de outras regiões vinhateiras de Portugal.



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