Dinheiro
D.R.Este ano o subsídio de Natal vai ser mais curto para grande parte dos portugueses, devido à sobretaxa extraordinária de IRS que lhe será aplicada. Para o ano, o cenário não será melhor. Os funcionários públicos já sabem que este subsídio será eliminado em 2012 e muitas empresas privadas podem seguir o exemplo do Estado. Mas o que fazer com esta verba extra? Além de gastar nas compras de Natal, existem outras alternativas disponíveis: investir, amortizar, aplicar ou simplesmente gastar. Saiba quais são as melhores opções:
Aplicar essa verba extra é uma das opções possíveis. Há actualmente no mercado ofertas para todos os gostos, o difícil é saber escolher o melhor investimento. Deve ter sempre em conta o seu perfil de investimento, nomeadamente a tolerância ao risco, a necessidade de liquidez e o horizonte temporal da aplicação. Por norma, quanto mais curto for o prazo e menor a disponibilidade para ter prejuízos, mais conservadora deverá ser a aplicação. Neste caso, devem ser privilegiados os depósitos a prazo, os Certificados de Aforro ou os Certificados do Tesouro. Os primeiros continuam a ser os campeões na captação das poupanças e esse sucesso é explicado, em parte, pela elevada taxa de remuneração oferecida. No entanto, esta corrida pode ter os dias contados depois do Banco de Portugal ter travado os juros dos chamados “superdepósitos”, já que os bancos vão ser penalizados se oferecerem remunerações que ultrapassem em 300 pontos base os juros do mercado. Outra alternativa passa por investir nos Certificados de Aforro e quem subscrever este produto de poupança em Dezembro vai ter direito a uma remuneração bruta de 1,504%. Um valor inferior em relação ao mês anterior, altura em que apresentou uma taxa de 1,595%. Também os juros dos Certificados do Tesouro vão descer para as subscrições de Dezembro para os períodos de permanência inferiores a cinco anos, a reflectir o recuo da Euribor a 12 meses, que serve de referência para o cálculo da taxa para o prazo de permanência mais curto. Já os juros previstos para os prazos de investimento mais alargados, a 5 e 10 anos, não vão sofrer alterações pelo décimo mês consecutivo.
2. Amortizar
Esta opção permite aliviar as prestações mensais que os consumidores pagam ao banco. E, ao mesmo tempo, permite aos clientes reduzirem os juros e o prémio do seguro de vida (incide sobre a dívida). Mas nem tudo são facilidades. A maioria dos bancos cria cláusulas nos contratos prevendo essa possibilidade, mas acabam por penalizar os portugueses que optam por esta modalidade. A explicação é simples: os bancos preferem que mantenha a dívida durante mais tempo, porque assim ganham mais dinheiro em juros. No entanto, não se esqueça que os custos têm um limite. No crédito da casa, os bancos não podem cobrar mais de 0,5% sobre o montante amortizado se o empréstimo tiver uma taxa variável e mais de 2% se for fixa. Neste caso, tem de avisar o banco da sua intenção até sete dias úteis antes de pagar a prestação, se a amortização for parcial, e até 10 dias úteis antes de a concretizar, se for total. No caso de um crédito pessoal com taxa variável, o banco não pode cobrar comissão. No caso dos empréstimos com taxa fixa, se o prazo em falta for superior a um ano, o limite é 0,5%. Já se faltar menos de um ano para o fim do crédito, o banco pode cobrar até 0,25%. Em qualquer caso, a penalização nunca pode ser superior aos juros em dívida. Tem de avisar o banco até 30 dias seguidos antes de amortizar. Não se esqueça de fazer muito bem as contas para saber se vale a pena amortizar e qual o montante. Enquanto tiver rendimentos que permitam deduzir as despesas com as prestações, não compensa liquidar a dívida de uma só vez. A poupança com a dedução é superior aos juros que deixaria de pagar caso amortizasse mais.
3. Aplicar
Aplicar essa verba extra num Plano Poupança Reforma (PPR) pode ser outra alternativa. No entanto, neste momento, esta solução está a tornar-se cada vez menos atractiva aos olhos dos investidores portugueses. Não só porque estas aplicações financeiras já não beneficiam dos mesmos benefícios fiscais que gozavam no passado, mas também porque estes produtos têm oferecido fracas rentabilidades, num reflexo da crise que afecta os mercados financeiros.
Os seguros de capitalização são outra hipótese – são produtos financeiros destinados à constituição de poupanças que garantem, na generalidade das vezes, o capital investido. A Associação de Defesa do Consumidor diz, no entanto, que estes geralmente são caros e pouco seguros. De acordo com a mesma fonte, apesar de serem seguros, não se destinam a cobrir nenhum tipo de risco e comercializam-se em bancos e seguradoras que operam no ramo vida. Regra geral, são aconselhados para o prazo mínimo de oito anos e um dia de forma a obter mais benefícios fiscais. O subscritor também pode programar as entregas: mensais, trimestrais, semestrais ou anuais. Quando quiser resgatar o seu produto de poupança, recebe o capital acrescido do rendimento acumulado ao longo dos anos. Há seguros de capitalização com ou sem capital garantido, à semelhança dos fundos de investimento. Quando há capital garantido, pode ainda haver uma taxa mínima garantida. Os rendimentos também variam: alguns proporcionam um rendimento fixo, regra geral de subscrição limitada.
4. Gastar
Gastar esse dinheiro extra nas compras de Natal pode ser outra alternativa e pode representar uma ideia tentadora para muitos consumidores. Essa é uma opção viável desde que tenha as suas despesas e os seus créditos controlados. Segundo o estudo da Cetelem, a maioria das famílias portuguesas (25%) irá gastar entre 151 e 250 euros, para a aquisição de seis ofertas de Natal. Uma parte significativa (23%) irá despender entre 76 e 150 euros. Já cerca de 17% das famílias portuguesas afirma que irá gastar mais de 250 euros e 13% irá desembolsar até 75 euros, valores para a compra de seis presentes. Quando questionados se irão “gastar com os presentes de Natal um valor inferior, igual ou superior ao do ano passado”, os inquiridos do Porto e da região Norte são os que declaram em maior número que irão gastar o mesmo valor (31% no Porto e 35% na região Norte, contra uma média nacional de 24%). Já de acordo com o estudo da Deloitte, os portugueses prevêem gastar em média 530 euros durante esta época, o que representa uma quebra de 8% face ao ano passado. A verdade é que este valor é superior ao que os alemães prevêm gastar no Natal – cerca de 449 euros – e superior ao valor previsto pelos holandeses (260 euros). Até os gregos, segundo este estudo, serão mais contidos do que os portugueses já que pensam gastar à volta dos 300 euros.
E já agora porque não investir numa passagem de ano de sonho? A decisão de gozar umas merecidas férias pode muito bem ser uma razão válida para gastar essa verba extra.



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