desemprego
D.R.Recorrer ao microcrédito e ao capital de risco são duas alternativas ao crédito bancário tradicional
Criar o seu próprio negócio poderá ser a solução para responder à elevada taxa de desemprego e à instabilidade económica que se vive no país. E, como muitos especialistas defendem, é em alturas de crise que se podem criar verdadeiros negócios de sucesso.
Esta tarefa, à primeira vista complicada, é bastante mais simples do que parece. Ter uma boa ideia – embora não seja tudo – é o requisito inicial para constituir uma empresa. A partir daí, é necessário recolher informação e desenvolver a ideia (ver coluna ao lado).
Depois da ideia, é também preciso arranjar capital. O ideal seria que conseguisse financiar o seu negócio com capitais próprios, mas a percentagem de empreendedores que consegue criar uma empresa sem recorrer a financiadores externos é residual. Por isso, deve estar preparado para defender o seu projecto junto da banca, de investidores privados ou empresas de capital de risco.
O recurso às instituições financeiras é uma das formas mais comum dos empreendedores conseguirem obter financiamento. O que é certo é que o acesso ao crédito é cada vez mais restritivo, já que a banca está a conceder cada vez menos financiamento devido à crise financeira. Apesar destes cortes, os últimos dados do Banco de Portugal são mais animadores. A banca está a cortar na concessão de crédito a particulares, mas está a aumentar nas empresas. O crédito concedido ao tecido empresarial subiu 267 milhões de euros, totalizando os 116 454 milhões de euros.
Microcrédito
Outra hipótese passa por recorrer ao microcrédito. Geralmente esta é a solução para todos aqueles que não têm acesso ao crédito bancário normal e desejam realizar um pequeno investimento. Contudo, o valor do empréstimo tem alguns limites e varia dos mil aos 10 mil euros (ver coluna).
Além disso, "só podem candidatar-se de-sempregados, sem acesso ao crédito tradicional ou incidentes bancários, capacidade para trabalhar por conta própria e que apresentem fiadores", revela a Associação de Defesa do Consumidor (Deco). Vários bancos concedem financiamento nestes moldes, por intermédio da Associação Nacional de Direito ao Crédito (ANDC), do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) ou da Santa Casa da Misericórdia. Outros concedem--no de forma autónoma.
Capital de risco
Apostar no capital de risco é outra alternativa para quem quer lançar o seu negócio, mas não tem o capital necessário. Este é aplicável a projectos de arranque, expansão, modernização e inovação empresarial. O Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e ao Investimento (IAPMEI) é o principal financiador público de fundos de capital de risco e promove a constituição destes instrumentos em parceria com a generalidade dos operadores privados que desenvolvem esta actividade.
As participações no capital social das empresas através deste instrumento de financiamento concretizam-se pela realização de aumentos de capital, que podem ser complementados por suprimentos, prestações suplementares de capital ou outros instrumentos financeiros análogos por parte de um operador especializado de capital de risco, nomeadamente as Sociedades de Capital de Risco (SCR) ou Fundos de Capital de Risco (FCR).
Geralmente, as participações são temporárias e, na generalidade dos casos, minoritárias. O operador de capital de risco intervém na empresa, com o objectivo de criar valor, alienando a sua participação num prazo médio de três a sete anos. Contudo, as condições de entrada, de relacionamento, e de saída são predefinidas em acordo parassocial, celebrado entre os promotores e investidores de capital de risco.



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