Dinheiro
D.R.Levantar dinheiro, fazer pagamentos e realizar transferências são algumas das funções que uma conta à ordem permite fazer. Hoje em dia, é raro o consumidor que não tenha uma, mas apesar de ter entrado na rotina dos portugueses é preciso ter alguns cuidados na escolha da conta e do banco. Uma má decisão pode levar a perdas pesadas. Comissões elevadas e despesas de manutenção são algumas das cobranças feitas pelos bancos para ter o seu dinheiro depositado. Por isso há que ter cuidados redobrados na hora de fazer essa selecção.
A verdade é que a escolha é variada e há praticamente oferta para todos os gostos. Pode optar por uma conta à ordem corrente ou por uma conta ordenado. Por norma, esta última é mais barata e o consumidor beneficia de algumas vantagens. Por exemplo, não paga despesas de manutenção ou a anuidade do cartão de crédito e ganha ainda a vantagem de ter o limite de descoberto (ver caixa ao lado). Fazer a mudança é simples: basta preencher um impresso e apresentar os últimos recibos de vencimento ou uma declaração da entidade patronal com o valor do seu ordenado. Os bancos não cobram por essa alteração.
Àpartida, qualquer consumidor pode abrir uma conta à ordem desde que respeite o montante mínimo de abertura mas o banco pode exigir a manutenção de um saldo mínimo. O não cumprimento deste saldo poderá implicar a cobrança de um valor, a título de despesas de manutenção. No entanto, as cobranças destas despesas devem estar contempladas no contrato e deverão estar fixadas no preçário.
Para poder movimentar a conta à ordem poderá recorrer aos cheques, cartões de débito ou de crédito – muitas instituições financeiras não cobram a primeira anuidade e, no caso do crédito, estes apresentam geralmente uma anuidade superior, mas podem incluir serviços como descontos em combustíveis e seguro de assistência em viagem.
Quanto aos cheques, estão cada vez mais a cair em desuso e os preços variam em função da quantidade que é requisitada e de serem ou não cruzados. Nesta última modalidade, os cheques apenas são pagos ao beneficiário, caso seja cliente do mesmo banco, ou têm de ser obrigatoriamente depositados.
Outra alternativa passa por fazer transferências bancárias. Desta maneira evita fazer deslocações e até esquecimentos. Em regra, as transferências permanentes – que servem para pagar a conta da água, electricidade, telefone ou outras – são gratuitas. Já as pontuais implicam um custo. O dinheiro pode, naturalmente, ser movimentado na totalidade ou em parte. Mas, no caso de uma conta à ordem, o levantamento da totalidade do dinheiro poderá implicar o fecho da mesma, pelo que é conveniente acautelar esta situação. O que é certo é que as contas à ordem oferecem uma remuneração muito baixa ou mesmo nula e, como tal, não representam verdadeiras aplicações financeiras. Por isso, convém manter na conta apenas os montantes indispensáveis para o dia-a-dia.
Cláusulas
Não se esqueça que, tal como acontece com a subscrição de outros produtos, a abertura de conta implica sempre a assinatura de um contrato e, por isso, deve estar atento às cláusulas. Por exemplo, cláusulas que permitem que o banco movimente contas sem avisar, que estabelecem a presunção de que toda a correspondência enviada ao cliente foi efectivamente recebida, ou que o cliente tem 15 dias para reclamar após o envio do extracto.
A conta pode ter diversos titulares (conta colectiva) ou apenas um único titular. O tipo de conta determina as assinaturas que devem constar da ficha de abertura do depósito (documento que se assina quando se abre a conta) e que são necessárias para levantar dinheiro. No caso de ser colectiva, todas as assinaturas devem constar da ficha. Já no caso das contas singulares, o titular é a única pessoa que pode movimentá-la e a sua assinatura é a única que consta da ficha.
Aceder à conta através da internet permite poupar até 240 euros
Recorrer ao homebanking pode ser uma boa alternativa para os consumidores que querem poupar algum dinheiro no fim do mês. Feitas as contas, esta alternativa poderá representar uma poupança na ordem dos 100 euros anuais.
A explicação é simples: a maioria das instituições financeiras cobram comissões mais reduzidas nas operações realizadas pela internet, o que leva muitos consumidores a optarem por este serviço. Por exemplo, há muitos bancos a não cobrarem nada pela requisição de cheques ou pelas transferências interbancárias, entre outras.
Segundo as contas da Associação de Defesa do Consumidor (Deco), os serviços feitos via telefone e internet ficam duas a três vezes mais baratos em relação aos serviços prestados no balcão. "Além de mais cómodos, estes canais permitem uma poupança, em média, superior a 50% face ao balcão. Segundo os nossos perfis, pode economizar até 240 euros", salienta.
A verdade é que estas vantagens em termos económicos podem ter os dias contados, já que os bancos, na sequência da crise financeira, podem começar a subir os custos cobrados em algumas operações realizadas através da internet.
Para os consumidores mais reticentes em relação à segurança deste canal, a Deco aconselha o telefone ou o multibanco para movimentar a conta. "No último pode fazer tudo o que faz na net e gasta o mesmo ou até menos do que nos restantes canais", alerta.
A verdade é que de acordo com o Inquérito à Literacia Financeira da População Portuguesa 2010, do Banco de Portugal, o homebanking tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos. De acordo com o mesmo, 24% já recorrem às novas tecnologias, sobretudo os portugueses com idades compreendidas entre os 25 e os 39 anos. Quem não usa o homebanking diz preferir usar o serviço multibanco por ter dificuldade em usar a internet ou por sentir insegurança nos sistemas online.
Por isso, para evitar desagradáveis surpresas deve ter cuidados redobrados ao aceder à sua conta pela net. Como tal, não deve revelar dados confidenciais, deve ter uma solução antivírus eficaz, suspeite de links e ficheiros suspeitos, etc.
Conta ordenado. Os perigos de ter disponível um salário extra
Domiciliar o salário no banco em vez de manter uma conta simples é outra solução que poderá render-lhe dezenas de euros por ano. "As contas ordenado são cerca de 52 a 82% mais baratas do que as correntes, em função do canal que usar com mais frequência: balcão ou internet", revela a Deco. Ao mesmo tempo, os consumidores passam a poder "duplicar" o salário, já que a conta ordenado está associada a um crédito automático, normalmente limitado ao valor do vencimento.
A associação lembra ainda que os consumidores ao domiciliarem o ordenado beneficiam de uma série de vantagens estando, por exemplo, isentos dos encargos de manutenção ao contrário do que acontece com as contas correntes. Neste último caso, a maioria das instituições financeiras só dispensa o pagamento destes encargos se os clientes apresentarem um saldo médio elevado, se tiverem produtos de crédito ou de poupança.
Mas as mais-valias não ficam por aqui. Nas conta ordenado, os bancos isentam os titulares de uma ou mais anuidades do cartão de débito ou crédito, oferecem a caderneta de cheques ou reduzem o preço se fizer o pedido numa caixa automática.
Mas há que ter alguns cuidados. Os clientes, ao usarem esta linha de crédito, ficam sujeitos ao pagamento de taxas de juro (TAEG), muitas vezes elevadas. Uma perigosa tentação principalmente para aqueles que têm maiores dificuldades em controlarem os seus impulsos consumistas. Os juros são automaticamente retirados da conta quando é disponibilizado o ordenado. Contudo, estes variam de banco para banco e há entidades bancárias que chegam mesmo a oferecer 0% de juros no descoberto autorizado durante o primeiro ano.
O que é certo é que esta é uma das grandes apostas da maioria dos bancos. A explicação é simples: "os clientes com ordenado domiciliado tendem a ser mais fiéis, apresentam volumes de depósitos mais elevados e geralmente têm um maior envolvimento com o banco, potenciando o produto bancário".
lll
Domiciliar o salário no banco em vez de manter uma conta simples é outra solução que poderá render-lhe dezenas de euros por ano. "As contas ordenado são cerca de 52 a 82% mais baratas do que as correntes, em função do canal que usar com mais frequência: balcão ou internet", revela a Deco. Ao mesmo tempo, os consumidores passam a poder "duplicar" o salário, já que a conta ordenado está associada a um crédito automático, normalmente limitado ao valor do vencimento.
A associação lembra ainda que os consumidores ao domiciliarem o ordenado beneficiam de uma série de vantagens estando, por exemplo, isentos dos encargos de manutenção ao contrário do que acontece com as contas correntes. Neste último caso, a maioria das instituições financeiras só dispensa o pagamento destes encargos se os clientes apresentarem um saldo médio elevado, se tiverem produtos de crédito ou de poupança.
Mas as mais-valias não ficam por aqui. Nas conta ordenado, os bancos isentam os titulares de uma ou mais anuidades do cartão de débito ou crédito, oferecem a caderneta de cheques ou reduzem o preço se fizer o pedido numa caixa automática.
Mas há que ter alguns cuidados. Os clientes, ao usarem esta linha de crédito, ficam sujeitos ao pagamento de taxas de juro (TAEG), muitas vezes elevadas. Uma perigosa tentação principalmente para aqueles que têm maiores dificuldades em controlarem os seus impulsos consumistas. Os juros são automaticamente retirados da conta quando é disponibilizado o ordenado. Contudo, estes variam de banco para banco e há entidades bancárias que chegam mesmo a oferecer 0% de juros no descoberto autorizado durante o primeiro ano.
O que é certo é que esta é uma das grandes apostas da maioria dos bancos. A explicação é simples: "os clientes com ordenado domiciliado tendem a ser mais fiéis, apresentam volumes de depósitos mais elevados e geralmente têm um maior envolvimento com o banco, potenciando o produto bancário".
Conta



Comente este artigo