Triple Play
Dora NogueiraSegundo as contas da Associação de Defesa do Consumidor, é possível poupar mais de 300 euros se os clientes optarem por serviços integrados
Pagar menos por mais serviços foi o truque usado por Helder Sousa quando optou por contratar o fornecimento de televisão, telefone e internet (“triple play) através de um só pacote. “Estava a pagar em separado por todos estes serviços e, ao fim do mês, representava uma renda elevada. Optei por apostar numa única empresa e consegui desta forma poupar algum dinheiro ao fim do mês”, refere o contabilista ao i.
Este não é um caso isolado e são cada vez mais representativos os consumidores que seguem este exemplo. Além disso, as empresas que prestam este tipo de serviços estão mais competitivas e acabam por apresentar as mais variadas ofertas, dando especial enfoque à qualidade/preço. Um critério muito procurado pelos consumidores, agora que o orçamento está asfixiado.
“Ter televisão, telefone e, por vezes, internet em casa representa mais uma renda para muitas famílias. Os tarifários triplos de telecomunicações, também conhecidos por triple-play, ficam mais baratos do que contratar os serviços em separado. Além da redução do custo, reúne, numa única factura, todas as mensalidades de telecomunicações e a resolução de problemas é feita com um só interlocutor”, diz a Associação de Defesa do Consumidor.
Isso significa que, por norma, a opção “triple play” é mais vantajosa em termos de preços, garantindo mais serviços e velocidade pelo mesmo preço. Ou seja, a oferta de pacotes de minutos gratuitos na voz, a eliminação de custos no telefone fixo e a maior velocidade da internet são vantagens a somar ao preço. Feitas as contas, o custo é menor do que a soma das partes na grande maioria dos casos – contratando tudo a uma só empresa, ganha também poder negocial para obter melhorias no seu serviço, como uma melhor internet ou um ou outro canal.
Mas nem tudo são vantagens. A Deco alerta que “uma falha no fornecimento pode privá-lo simultaneamente dos três serviços”. Além disso, não deve ser uma opção a ter em conta se o cliente pretender apenas um dos serviços: se quer só internet, não faz sentido aderir ao “triple play”.
Como escolher A tarefa de escolher o melhor serviço ao melhor preço nem sempre é fácil tendo em conta a variedade da oferta (existem 150 pacotes diferentes). Daí o melhor a fazer é ponderar nos serviços que precisa: quantos canais, o uso que faz da internet e o seu perfil de chamadas – e será que vê tanto futebol assim que valha a pena pagar Sporttv, por exemplo? A associação chama ainda a atenção para a necessidade de analisar as promoções das operadoras. “Por vezes, os descontos só se aplicam a uma ou duas mensalidades ou até um máximo de um ano. Resultado: o valor que parecia, à partida, atractivo pode revelar-se superior ao da operadora de telecomunicações concorrente.”Exemplo disto são as campanhas actualmente em curso, que em nota de rodapé apontam para uma mensalidade um pouco diferente a partir de Janeiro, depois de em parangonas anunciarem vários serviços a troco de meia dúzia de euros. Mas os truques não ficam por aqui:“Além das mensalidades, pode haver outros encargos. Para evitar surpresas, informe-se dos custos associados. Por exemplo: há operadoras que cobram quase 100 euros só pela instalação e activação dos serviços (ver coluna ao lado).
Segundo as contas da Deco, é possível poupar mais de 300 euros com a aposta nos serviços integrados. Na análise dos três perfis definidos pela Deco – utilização reduzida, moderada e intensiva – é possível encontrar formas de estender a poupança até aos 314 euros, comparando os vários tarifários dos operadores e juntando os custos extra com a box e chamadas telefónicas. A verdade é que nem sempre é fácil fazer essa comparação. Como os produtos são muito variados, “torna mais difícil, se não impossível, a comparação de produtos, já que não há dois iguais. A escolha do melhor produto dependerá do perfil de cada consumidor”, refere.
O i fez uma ronda pelas principais ofertas, definidas em termos da sua quota de mercado em 2010 – Zon com 58%, PT com 30%, Cabovisão com cerca de 10% e a Optimus, com 1,1% – e verificou que é possível contratar este tipo de serviço a partir de 18,99 euros na Cabovisão (valor ao qual acresce o preço do equipamento e os canais premium se o cliente assim o desejar). A Meo cobra 42,59 euros pela oferta Total 12 – inclui 80 canais, voz fixa ilimitada e 30 Mbps – e pode atingir os 109,99 euros pela oferta Total 200 após 31 de Dezembro, já que até lá a operadora cobra 49,99 euros. Neste caso, os clientes podem usufruir de 125 canais, 200 Mbps e voz fixa ilimitada. A Zon aposta no pacote Light Plus HD – 105 canais, 12 megas e chamadas ilimitadas – por 42,59 euros por mês. Já a Sonaecom oferece o pack L – 70 canais de televisão, 30 megas e chamadas ilimitadas para números fixos nacionais – por 19,9 euros até ao final do ano e, a partir dessa data, passa a cobrar 41,99 euros.
Com Filipe Paiva Cardoso



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