O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, criticou, num debate gravado em vídeo, a visita que o primeiro-ministro português fez em Novembro a Angola, na qual admitiu ir...
O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, criticou, num debate gravado em vídeo, a visita que o primeiro-ministro português fez em Novembro a Angola, na qual admitiu ir...
O presidente do Parlamento Europeu lamentou hoje o que classificou como uma interpretação errada dos comentários que fez sobre a visita do primeiro-ministro português a Angola, garantindo que não criticou Portugal, mas sim a falta de solidariedade na Europa.
Em declarações à imprensa no Parlamento Europeu, em Bruxelas, Martin Schuz afirmou-se “espantado ao ser informado da interpretação” que foi feita em Portugal das suas palavras, e lamentou que estas tenham sido “confundidas” com observações da chanceler alemã, Angela Merkel, sobre a Madeira, das quais disse discordar em absoluto.
“Sempre me senti muito ligado a esse país (Portugal), pelo que lamento muito que tenha havido pessoas que tenham tentado interpretar mal algo que não pode ser mal interpretado, porque eu não critiquei nem o Governo nem critiquei o país, apenas expliquei que os europeus devem perceber que têm de trabalhar em conjunto”, de modo a que um Estado-membro da União não tenha de se virar para países terceiros em busca de investimentos, afirmou.
Schulz alegou que quando falou em “declínio” se referia à Europa, e não a Portugal, insistindo que foi “verdadeiramente mal interpretado”.
“Falei de uma ameaça que a Europa deve levar a sério. Temos um modelo social baseado na nossa capacidade de cooperar na Europa, e creio que se não formos solidários na Europa, se por exemplo os grandes países na Europa deixarem passar a imagem que deixam cair os mais pequenos, se a Alemanha por exemplo deixar passar a imagem que a Grécia não nos interessa, que Portugal não nos interessa, a Europa enquanto tal tornar-se-á irrelevante e fica ameaçada de declínio”, afirmou Schulz.
O presidente da assembleia garantiu assim que as suas críticas não visavam de forma alguma Portugal, “mas sim a Europa” e a sua mensagem constituiu mesmo “um apelo à solidariedade no seio da Europa”.
O dirigente socialista alemão considerou ainda que “houve uma certa mistura com observações da chanceler da República Federal (alemã) com despesas de fundos estruturais (na Madeira)”, que não partilhar “de todo”.
O porta-voz do presidente do Parlamento Europeu já tinha esclarecido hoje que Martin Schulz queria reforçar a ideia de que a Europa vai enfraquecer se não agir em conjunto e se não mostrar solidariedade uns com os outros, avança a TSF.
De acordo com a notícia do Público, o presidente do Parlamento Europeu criticou a visita-relâmpago que o primeiro-ministro português fez em Novembro a Angola, na qual admitiu ir à procura de capital angolano para as privatizações em curso.
"Passos Coelho apelou ao governo angolano a que invista mais em Portugal, porque Angola tem muito dinheiro. Esse é o futuro de Portugal: o declínio, também um perigo social para as pessoas, se não compreendermos que, economicamente, e sobretudo com o nosso modelo democrático, estável, em conjugação com a nossa estabilidade económica, só teremos hipóteses no quadro da UE", disse Martin Schulz.
O gabinete de Martin Schulz salienta ainda que o presidente do Parlamento Europeu estava a destacar a crescente importância de África e a demonstrar que a Europa corre o risco de se tornar um continente em declínio se não agir em conjunto.


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