Aumento do desemprego, cortes nas remunerações e atrasos no pagamento de salários justificam a quebra registada em 2011
As empresas e o Estado pagaram, em 2011, 25 265 milhões de euros em salários. Este montante representa um corte de 716 milhões de euros face ao ano anterior. 2011 foi o primeiro ano desde, pelo menos, 1999 em que se registou uma quebra no pagamento de remunerações de trabalho, o que reflecte o agravamento da crise económica.
A taxa de desemprego, que em 2011 atingiu o triplo da registada no início do século XXI, o crescimento do número de insolvências de empresas, o congelamento de salários em alguns dos sectores privados, o corte de remunerações na função pública e a sobretaxa de IRS sobre o subsídio de Natal são as principais razões na origem do recuo nos pagamentos salariais realizados em 2011.
Os dados apresentados referem-se às transferências electrónicas interbancárias para pagamentos de remunerações de trabalho e constam do último Boletim Estatístico divulgado pelo Banco de Portugal (BdP). No entanto, os montantes divulgados podem pecar por defeito, uma vez que ainda há empresas – um número pouco significativo e cada vez menor – a recorrer ao cheque como meio de pagamento de salários.
Desde 1999 que o pagamento de ordenados por transferência bancária tem vindo a subir anualmente. Os maiores crescimentos foram registados no início do século, sempre na ordem dos dois dígitos. Por sua vez, em 2010 foi o primeiro ano em que o crescimento abrandou significativamente (mais 3,5%), até que em 2011 se registou a primeira diminuição, em quase 3%.
Analisando os pagamentos mensais, as estatísticas comprovam que Junho e Novembro foram os meses em que os portugueses mais ganharam, resultado do pagamento de subsídios de férias e de Natal.
Comparando as remunerações pagas em Novembro e Dezembro de 2011 – meses em que fica liquidado o pagamento do subsídio de Natal – com o mesmo período do ano anterior, registou-se uma diminuição de 10% no montante das remunerações. No total dos dois meses, os empregadores pagaram menos 554 milhões de euros. Esta redução não é alheia à sobretaxa extraordinária de IRS sobre o subsídio de Natal dos trabalhadores e pensionistas do sector privado e público, e à maior subida de sempre da taxa de desemprego que, no último trimestre de 2011, disparou para 14%.
O número de pessoas disponíveis para trabalhar mas sem emprego já ultrapassava o milhão no final do último trimestre de 2011. Em média, no ano passado, a população empregada foi estimada em 4,87 milhões de indivíduos, de acordo com os dados divulgados recentemente pelo Instituto Nacional de Estatística.
Prestações sociais recuaM Segundo as mesmas estatísticas, os pagamentos emitidos por Instituições nacionais de Segurança Social, como por exemplo, subsídio de desemprego ou de doença, sofreram o primeiro decréscimo desde 2005, ano em que começam as estatísticas do BdP. Em 2011, foram efectuadas pagamentos no valor de 3 387 milhões de euros, menos 111 milhões do que em 2010.



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