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Além de três administradores não executivos, a China State Grid quer ter homens da sua confiança na gestão das equipas técnicas da empresa
A entrada de quadros superiores chineses na REN está a causar mal-estar entre alguns dos accionistas de referência, que já fizeram chegar o seu desagrado ao governo. A China State Grid, com 100% de capitais estatais chineses, já garantiu a nomeação de três administradores não executivos no próximo conselho de administração, por via dos 25% que adquiriu no início deste mês ao Estado português. E agora quer colocar quadros seus em posições de chefia nas equipas técnicas da Rede Energética Nacional. A Omã Oil, actualmente detentora de 15% da empresa, terá um representante, também não executivo, nos órgãos da empresa.
A entrada dos chineses não agrada a uma grande parte da estrutura accionista da empresa, mas o detentor da terceira maior participação privada, a Logoplaste, com 8,4%, considera que a State Grid tem tecnologia de ponta que pode ser aplicada na transportadora nacional de gás e electricidade. Filipe Botton é aliás reconhecido por diversas fontes contactadas pelo i como o homem que deu a volta à REN, empenhando-se a fundo na sua modernização e gestão. “Consegue sempre o que quer porque é extremamente dinâmico. E pela ausência dos restantes accionistas”, disse ao i uma fonte da empresa. E a venda aos chineses terá tido o seu patrocínio.
Outra das críticas de uma parte dos accionistas prende-se com a diminuição dos administradores executivos, que passam de cinco para três. Sem que o Estado, através da Parpública, tenha sequer um representante na comissão executiva. “O Estado nunca nomeou ninguém, nem quando detinha uma participação de 51% nem agora, apesar de manter uma posição de 11%”, realçam as mesmas fontes.
A entrada dos chineses na REN é vista como uma plataforma para conquistar mercados africanos e alargar a influência no Brasil, onde já está presente. Em África, Moçambique é o alvo mais apetecível, em particular pelas minas de carvão. A venda da participação estatal detida pela Parpública às duas empresas estrangeiras permitiu um encaixe de 592,21 milhões de euros, que vão abater à dívida pública em 2012.
Contratos-promessa A assinatura dos contratos-promessa da venda dos 40% do Estado é feita hoje, no Ministério das Finanças. Ontem foram alterados os contratos entre o Estado e a gestora das redes energéticas. Na ocasião, o ministro da Economia fez questão de sublinhar que os aditamentos à concessão “salvaguardam os interesses nacionais no fornecimento de electricidade e de gás natural. A missão da REN mantém-se, mesmo sem o Estado como accionista maioritário da empresa”.
Entretanto estão a ser tomadas mais medidas para salvaguardar a empresa enquanto activo estratégico. Como a alteração dos estatutos da ERSE, a entidade reguladora para o sector energético, no sentido de reforçar os seus poderes e passar a ter capacidade para aplicar sanções, o que até aqui não acontecia. O governo pretende igualmente aprovar um diploma, no âmbito da lei-quadro das privatizações, que ainda está a ser negociado com Bruxelas, que levantou questões de formulação.



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