A discussão em torno da iminente ruptura da Segurança Social obriga a poupar para a reforma o quanto antes
Cavaco Silva tem 71 anos e garantiu recentemente que as suas reformas não lhe chegam para as despesas. Uma declaração polémica que ressuscitou o tema da urgência em amealhar para a reforma, uma vez que o valor assegurado pelo Estado vai diminuir drasticamente nos próximos anos.
Sobreviver com pensões baixas é hoje o desafio de muitos portugueses. Mas como conseguir um nível de vida equilibrado no período dourado? A estratégia é investir em formas alternativas de poupança que complementem os descontos para os sistemas públicos. A regra de ouro passa por começar a planear o mais cedo possível. O i fez várias simulações que mostram que pode bastar um euro/dia para evitar cair nos lamentos do Presidente da República.
Existem vários instrumentos disponíveis. Os planos de poupança reforma (sob a forma de seguro ou de fundo de investimento) foram, durante largos anos, a solução mais procurada para quem poupa a pensar na reforma. No entanto, com as alterações fiscais em 2011, os PPR perderam vantagens para os produtos concorrentes como certificados de reforma, seguros “united linked”, certificados do tesouro e fundos mistos.
A escolha do produto depende do perfil de risco do investidor – conservador, moderado ou agressivo – e da distância até à idade da reforma. Os especialistas aconselham a priorizar os objectivos, definindo um plano de investimentos regular. Quanto maior o risco que assumir, maior o potencial de retorno dos seus investimentos. Quanto mais cedo começar, menor o esforço de poupança que terá de fazer.
De acordo com as simulações feitas no site da Optimize, se tiver 25 anos e nenhuma poupança, ao amealhar 30 euros por mês, ou seja, um euro por dia, terá à sua disposição um capital de 47 172 euros quando chegar ao termo da sua poupança reforma. Este montante pressupõe um investimento diversificado com o máximo de 50% de acções. Assim, com pouco mais que o que gasta num café consegue arrecadar capital que se virá a converter num rendimento extra vitalício de 225 euros por mês.
Caso aumente a poupança mensal para 100 euros, cerca de 3,33 euros diariamente, o capital aumenta para 157 242 euros, o equivalente a uma renda vitalícia mensal de 750 euros a partir dos 65 anos (ver simulações).
Os especialistas da Associação de Defesa do Consumidor (Deco) aconselham os certificados do tesouro e os fundos mistos como os produtos que oferecem as melhores perspectivas. O instrumento do Estado é apontado para quem tem mais de 50 anos e privilegia a segurança do investimento. Já para quem tem até 50 anos, a Deco recomenda os fundos mistos que, apesar de não garantirem o capital, oferecem maior potencial de rendimento.
Um estudo da Associação Portuguesa de Seguradores apontou que no fim do século XX Portugal tinha, seguido de perto pela Grécia, o sistema de cálculo das pensões de reforma mais generoso da OCDE. Era normal que, no momento da reforma, o pensionista ficasse com um rendimento líquido superior ao seu rendimento líquido no activo. “Assim, não é surpreendente a reforma que teve lugar em 2007 e que colocou Portugal na média da OCDE, em termos de generosidade para com os seus reformados”, lê-se no estudo a Poupança em Portugal. O trabalhador médio pode esperar, segundo a OCDE, uma queda de 40% no valor da sua pensão graças às alterações das regras.



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