O ex-ministro das Finanças Pina Moura afirmou hoje que as previsões da recessão para 2012 "atingem uma dimensão negativa preocupante", sublinhando, no entanto, que outros indicadores, como a evolução da situação orçamental, "vão no sentido inverso".
Em declarações aos jornalistas à margem da primeira conferência do ciclo "Assumir a Responsabilidade pelo Passado - Projetar o Futuro", organizado pela Faculdade de Economia do Porto, Pina Moura foi questionado sobre os números hoje apresentados pela Comissão Europeia, segundo os quais Portugal vai sofrer em 2012 uma recessão mais grave que o previsto no Orçamento do Estado, com o PIB a diminuir 3,3 por cento.
"Sem dúvida as previsões atingem uma dimensão negativa preocupante mas há que sublinhar também outros indicadores que têm aparecido que vão no sentido inverso por exemplo no que respeita à evolução da situação orçamental. As comparações não são do mesmo tipo", respondeu.
Na opinião do ex-ministro das Finanças, "existe um sentimento muito generalizado de que a economia portuguesa está numa fase muito difícil, em que provavelmente se está a pagar erros cometidos ao longo de bastantes anos, particularmente nos últimos dez anos, onde não foi reformatada a política económica em função de uma nova realidade que é a União Económica e Monetária".
"Eu acho que há atrasos e um desafio que se coloca não só ao atual Governo mas também às forças da oposição interessadas em resolver os problemas do país é uma abordagem tanto quanto possível conjunta e tanto quanto possível pactuada entre as várias forças políticas", apelou.
Pina Moura disse acreditar que Portugal vai regressar aos mercados, considerando que "a economia portuguesa pode sair desta provação com mais solidez" sendo para isso preciso trabalhar e agir "na hora certa e não muitos meses depois dessa hora certa ter passado".



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