Hastear da bandeira nacional
Manuel de Almeida/lusaPresidente defende que Banco Central Europeu actue como a Reserva Federal dos Estados Unidos. 80% dos alemães estão contra
O Presidente da República criticou ontem, indirectamente, a alegada ignorância económica de Angela Merkel e do próprio primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho. De manhã, num post no Facebook, e depois numa intervenção no Conselho de Globalização, Cavaco defendeu uma intervenção mais activa do Banco Central Europeu, afirmando que “só quem revela algum desconhecimento” pode ter medo que dessa intervenção do BCE resultem “perigos de inflação”.
Registando que “praticamente já não há economista de reputação internacional” que não defenda pôr o BCE a funcionar para travar a crise do euro, Cavaco insistiu na urgência de o Banco Central Europeu comprar dívida pública de países com problemas de liquidez.
“Quanto a mim e quanto a muitos outros economistas por esse mundo fora, se o Banco Central Europeu tivesse fixado um limite para a taxa de juro para os títulos da dívida pública a partir do qual estaria disposto a fazer uma intervenção ilimitada nos mercados secundários com certeza teria gasto menos dinheiro e teria conseguido melhores resultados em termos de estabilização da zona euro”, disse o Presidente. E, criticando a recusa firme da chanceler alemã, afirmou que “não faz sentido, como alguns de vez em quando referem, o problema de criação de moeda ou o perigo da inflação”. “Isso é qualquer coisa que o Banco Central Europeu com toda a facilidade realiza, por isso só quem revela algum desconhecimento é que receia que na situação actual possam resultar dessas intervenções perigos de inflação”, disse o Presidente da República.
No seu post no Facebook, Cavaco Silva tinha defendido que era fundamental “pedir ao BCE que actue como ‘lender of last resort’, como fazem os bancos centrais dos EUA, do Reino Unido ou do Japão”. Cavaco refere “que um número crescente de altos responsáveis políticos europeus e não europeus têm vindo a aderir àquela posição dos economistas” que ele próprio tem vindo a defender. “Afinal os ensinamentos da teoria da política monetária ainda têm alguma força”, conclui o Presidente no seu texto no Facebook.
E é isso precisamente que defende o editor do “Financial Times”, Wolfgang Münchau, que ontem sublinhou que no meio da actual vaga de austeridade é importante que se veja uma saída a prazo – essa saída, argumenta, só é possível com uma intervenção do BCE e a criação de eurobonds. “A zona euro não terá futuro sem isso. Portugal tem de pressionar nesse sentido”, afirmou ontem numa conferência em Lisboa.
Durão Barroso insistiu ontem que crise da zona euro é muito grave e o risco de contágio é real. Sobre a posição alemã, foi contemporizador: “A posição alemã é que as eurobonds poderão ser contempladas quando houver um nível maior de integração e disciplina na zona euro. Aí não estamos tão distantes assim.” Mas uma sondagem ontem divulgada revela que quase 80% dos alemães estão contra uma intervenção do BCE.
Com Bruno Faria Lopes e Lusa



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