O governo espanhol tem desenhada uma estratégia para negociar com Bruxelas uma alteração ao compromisso do défice para este ano, para que possa ficar acima dos 5 por cento do PIB, em vez dos 4,4 por cento previstos, segundo o El País.
O jornal, que cita fontes do governo, explica que o presidente do executivo, Mariano Rajoy e o ministro da Economia, Luis de Guindos, deverão pedir formalmente a Bruxelas para "suavizar" a meta do défice num prazo máximo de 10 dias.
Apesar do governo espanhol insistir que está a trabalhar para cumprir as metas atualmente impostas -- um limite máximo de 4,4 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) no défice deste ano -- Madrid reconhece a dificuldade a que obriga cumprir essa meta.
Em especial porque em 2011, ano em que ainda governavam os socialistas, o défice terá tido um desvio de pelo menos dois pontos, para 8 por cento do PIB, face à meta acordada com Bruxelas, de 6 por cento.
Resolver esse desvio e cumprir os objetivos iniciais de redução de défice obrigaria a cortes este ano de mais de 40 mil milhões de euros, uma meta complicada numa altura em que Espanha vive já com indicadores de recessão económica e com o desemprego mais elevado da UE.
Oficialmente Mariano Rajoy tem insistido que Madrid "vai cumprir os objetivos de défice que se estipulem" mas o tema continua a suscitar debates entre o governo e a oposição, tendo o líder socialista Alfredo Pérez Rubalcaba defendido na reunião da semana passada com o primeiro-ministro uma alteração às metas de défice.
Mesmo que a nova meta de défice seja cumprida o corte global este ano teria que ser de 30 mil milhões de euros, dos quais cerca de 15 mil milhões estão já contidas num primeiro pacote aprovado por Rajoy e que inclui reduções de gastos e aumentos de impostos.
A decisão final poderá estar agora dependente das previsões da Comissão Europeia (CE), divulgadas na quinta-feira, que o Governo espanhol pediu já sejam "realistas".
Em outubro, nas previsões de outono, Bruxelas previa que a economia espanhola cresceria 0,7 por cento este ano mas tanto o FMI como o Banco de Espanha preveem uma recessão este ano, respetivamente de 1,5 e de 1,7 por cento.
A par da realidade económica Madrid debate também a questão do balanço entre austeridade e controlo das contas públicas e políticas que favoreçam o crescimento e o emprego na UE.
Espanha, recorde-se, está entre os países que escreveu ao presidente do Conselho Europeu e da Comissão Europeia a solicitar uma aposta na agenda de crescimento como tema central para o próximo Conselho Europeu.



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