O diretor dos assuntos orçamentais do Fundo Monetário Internacional, Carlo Cotarelli, considera que países com acesso limitado a financiamento, como os países sob programas de ajustamento, não têm opção senão continuar com a redução do défice planeada.
"Para algumas economias avançadas, o acesso limitado a financiamento não lhes deixa outra opção senão prosseguir com os planos de redução do défice para este ano", afirma o responsável num texto publicado pelo sítio na internet do VoxEu, para o qual colaboram vários economistas e analistas.
O responsável do FMI, que já tinha passado uma mensagem semelhante durante a conferência de imprensa da apresentação das atualizações das perspetivas mundiais e do relatório de estabilidade financeira do fundo, sublinha ainda que a "consolidação orçamental não pode ser a única ferramenta para restaurar a confiança dos mercados".
Entre as receitas para estes países com limitado acesso a financiamento -- como é o caso de Portugal, Grécia e Irlanda, que estão sob programas de ajustamento com apoio financeiro do FMI -, Carlo Cotarelli defende que "reformas estruturais para aumentar a competitividade e impulsionar o crescimento também são críticas", alertando ainda para o facto de mesmo as reformas estruturais que já começaram "demoram tempo a produzir resultados".
"Por isso, é essencial apoiar os países que estão a fazer um ajustamento ao ritmo apropriado disponibilizando os recursos financeiros adequados -- na zona euro, através do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira e do Mecanismo Europeu de Estabilidade -- para aumentar a confiança enquanto a perceção do mercado se ajusta. Os mercados respondem eventualmente à melhoria dos fundamentais económicos como um crescimento de médio prazo mais forte e futuros défices orçamentais mais baixos, mas costuma demorar o seu tempo", diz ainda.


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