A agência de notação Fitch anunciou hoje descidas no rating de cinco países europeus, com a avaliação de Espanha, Itália e Eslovénia a cair dois níveis e as da Bélgica e Chipre a cair um nível.
Espanha e Eslovénia perdem dois escalões, de AA- para A, com perspetiva negativa, o que deixa antever mais cortes no rating no futuro e a Itália perde também dois níveis de A+ para A-, com perspetiva negativa.
A Bélgica passa de AA+ para AA e o Chipre de BBB a BBB-, ambos com perspetiva negativa.
O último dos seis países que estava em revisão desde dezembro, a Irlanda, mantém o seu rating, de BBB+, mas passa a ter a sua perspetiva em negativo.
No passado dia 19 de janeiro responsáveis da Fitch deixaram antever, numa conferência em Madrid, que os ratings desses países – cuja qualificação estava em revisão desde dezembro do ano passado – iriam descer.
Ed Parker, diretor gerente de ratings soberanos da Fitch disse em Madrid que a descida, de um ou dois níveis, estava relacionada riscos que estas economias enfrentam, a evolução das suas perspetivas de crescimento e as medidas já adotadas pelos Governos.
Uma das situações mais preocupantes continua a ser a da Itália, que este ano tem que financiar 360 mil milhões de euros em dívida, com o futuro imediato pendente da capacidade do Governo adotar as medidas necessárias e avançar com as reformas e o programa de consolidação fiscal.
“A situação económica e orçamental não mudou e o maior impacto foi o colapso na confiança e o aumento de juros que, se se mantiverem, são incompatíveis para o controlo do rácio de divida versus PIB”, disse na altura.
“O futuro depende do novo governo tentar positivamente mudar o sentimento dos investidores para que saia da linha vermelha. Tem que entregar planos de consolidação fiscal e implementar reformas estruturais para dar confiança aos mercados”, sublinhou.
Mais complicada é ainda a situação de Espanha que tem em curso um “ajustamento macroeconómico significativo”, com o legado dos anos de boom a deixarem um “legado de grande desafio ao novo Governo”, referiu o analista da Fitch.
A par dos problemas das contas públicas Parker referiu o “mercado laboral claramente disfuncional” com um elevado desemprego e a necessidade de que o setor bancário demonstre claramente aos investidores que “não há mais esqueletos nos armários” no que toca aos maus ativos.



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