O ex-ministro das finanças alemão, Peer Steinbrück, acusou hoje a chanceler Angela Merkel de gerir mal a crise da zona euro, na sequência da decisão do Conselho Europeu de celebrar um acordo intergovernamental sem a Grã-Bretanha.
As decisões da chanceler "foram sempre escassas, tardias e pouco claras, e o longo caminho até se celebrarem novos tratados para uma disciplina orçamental mais rigorosa dos países da zona euro fez a crise aumentar", disse o político social-democrata à emissora pública Deutschlandradio.
Steinbrück lembrou que Merkel recusou, no passado, sanções automáticas contra países do euro que não respeitem as regras do Pacto de Estabilidade sobre o défice orçamental e o volume da dívida soberana em relação ao produto Interno Bruto (PIB).
"Agora, acabou por aprovar tais sanções, e a questão é porque é que não as quis logo de início, e através de várias piruetas perdeu um ano e meio", acrescentou Steinbrück, um dos potenciais candidatos a chanceler do SPD nas legislativas de 2013, muito provavelmente contra Merkel, se a dirigente conservadora se recandidatar.
Apesar das críticas à chefe do governo alemão, Steinbrück considerou "absolutamente correta, devido à rígida recusa dos britânicos", a decisão tomada por 23 países no Conselho europeu de avançarem para um acordo intergovernamental separado na União Europeia.
Na opinião do ex-ministro das finanças, para resolver a crise das dívidas soberanas é necessário também, no entanto, mudar o estatuto do banco Central Europeu (BCE), e autorizá-lo a comprar mais obrigações dos países em dificuldades.



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