Vitor Gaspar não gostou que
a conversa que teve com o seu homólogo alemão fosse divulgada mas considerou-a de “interesse público”
Vitor Gaspar não gostou que
a conversa que teve com o seu homólogo alemão fosse divulgada mas considerou-a de “interesse público”
Não se sabe ainda se os alemães vão ter a última palavra na reunião do Eurogrupo sobre a Grécia. Mas sabe-se que a divulgação da conversa entre o ministro das Finanças alemão e o seu homólogo português foi fatal ao operador de câmara da TVI, que hoje não poderá captar as imagens que antecedem o encontro dos ministros da economia e finanças da zona euro.
Curiosamente, houve outras televisões a captarem conversas informais com alguns dos intervenientes na última reunião do Eurogrupo, como a espanhola, entre o ministro das finanças de Madrid e Olli Rehn, o comissário europeu dos assuntos económicos. Mas nada lhes aconteceu.
“A proibição de captar imagens antes da reunião aplicou-se apenas à TVI”, disse o jornalista Pedro Moreira ao i. “A única explicação que encontro é o visado ter sido um alemão. Mas estamos de consciência tranquila porque fizemos o nosso trabalho. Esperemos que o facto de a câmara da TVI não estar na sala ajude o conselho a combater a recessão e o problema do desemprego, que já atinge 24 milhões de europeus”.
Sem TVI mas com a Grécia antes, durante e depois, o Eurogrupo decide hoje se desbloqueia mais uma tranche do empréstimo a Atenas, que deverá rondar os 130 mil milhões de euros. Uma decisão difícil, tendo em conta as múltiplas incógnitas que rodeiam o sim de Atenas a mais um pacote de austeridade sem que se veja a luz ao fundo do túnel, quer ao nível do crescimento quer na redução da dívida pública e do défice.
A começar pelas próximas legislativas de Abril que certamente darão origem a um novo governo de coligação, uma vez que nenhum partido está em condições de obter a maioria. E não fora a recusa dos comunistas do KKE, poderia vencer a Coligação da Esquerda Radical.
O ministro das finanças alemão, Wolfgang Schäuble voltou ontem a sugerir que a Grécia é um caso perdido numa entrevista publicada pelo “Tagesspiegel am Sonntag”. “Estamos prontos, desde há algum tempo, para participar na reconstrução de um sistema tributário eficiente na Grécia”, disse. “Mas o governo grego não aceitou o nosso convite até agora. E para se poder ajudar alguém, a primeira condição é que esse alguém queira realmente ser ajudado”.
O responsável pelas finanças alemãs recusou qualquer ideia de um acordo por etapas, que tem vindo a ser defendida na última semana. “Um acordo por etapas ou um acordo passo a passo não seria construtivo. Decidiremos sobre um programa concreto”, acrescentou.
A posição de Schäuble foi reforçada pelo seu homólogo da Economia, Phillipp Rösler, que pretende de Atenas informação periódica sobre os avanços da economia e os resultados da ajuda, bem como previsões concretas sobre o que o governo planeia fazer com a nova tranche do resgate.
Gregos não querem dracma Uma sondagem ontem publicada no diário grego “Ethnos” dá conta que mais de sete gregos em cada 10 (75,9%) são favoráveis à “perspectiva europeia” no país e não querem sair do euro, apesar das medidas de austeridade impostas pelos credores, a UE e o FMI. Somente 19,6% dos inquiridos defendem o regresso ao dracma, a moeda que vigorava na Grécia antes da adesão ao euro, em 2002.


Comentários