A fórmula é simples: a curto prazo ganha em liquidez, mas a longo prazo paga mais juros
Juntar ao crédito habitação pequenos empréstimos – como o automóvel, viagens e pequenos electrodomésticos – foi o truque utilizado por Manuela Oliveira para conseguir suavizar as prestações mensais. “Alarguei o prazo dos empréstimos, mas consegui reduzir os encargos mensais que já se tornavam quase insustentáveis devido ao aumento das taxas de juro.” No fim do mês, conseguiu reduzir as suas despesas mensais fixas na ordem dos 200 euros em troca de meia dúzia de anos a mais. “Foi a melhor solução para o meu caso, apesar de reconhecer que foi a saída mais cara devido aos juros que fui obrigada a pagar a mais.”
Este não é um caso isolado. Há cada vez mais portugueses a recorrerem ao crédito consolidado. Juntar várias prestações num só crédito e numa única instituição financeira é a fórmula encontrada por muitos consumidores para conseguirem pagar todas as contas ao fim do mês.
Também João Fernandes recorreu a esta técnica, mas mostra-se arrependido da decisão. “Na altura, a ideia pareceu-me tentadora, consegui reduzir as mensalidades dos empréstimos que tinha contraído, mas rapidamente me apercebi que essa não era a melhor solução”, refere em declarações ao i. A explicação é simples: “Como senti uma maior folga orçamental acabei por contrair um novo crédito, o automóvel. Se fosse hoje tinha adiado a decisão e ainda continuava com o carro antigo”, salienta.
A verdade é que juntar vários créditos como forma de reduzir os encargos pode parecer uma ideia tentadora, mas nem tudo são vantagens. De acordo com a Associação de Defesa do Consumidor (Deco), “só deve juntar os créditos da casa, carro e móveis se não conseguir pagar todas as prestações. Esta solução permite desafogar o orçamento familiar, mas implica sempre mais juros no final”.
Além disso, ao consolidarem os diversos créditos – liquidando os anteriores – os clientes irão ter de pagar uma comissão por amortização antecipada desses empréstimos. Por isso mesmo, há que fazer muito bem as contas a essas comissões e verificar se vale a pena consolidar ou não.
Como funciona? É simples: geralmente, o crédito da casa tem o prazo mais longo e a taxa de juro mais baixa, pelo que compensa associar os restantes a este. Mas fica a pagar, por exemplo, em 30 anos, a acumulação de vários empréstimos. A curto prazo, ganha em liquidez, mas a longo prazo, paga mais juros. Ao consolidar, pode optar pelo crédito com ou sem hipoteca. No primeiro caso, pode obter um prazo mais alargado e uma taxa de juro inferior. Mas suporta custos iniciais mais elevados. No segundo, as despesas iniciais são menos pesadas, mas os montantes e o prazo são inferiores.
Caso não tenha um crédito hipotecário, a consolidação passa por um crédito pessoal. Mas a redução mensal das prestações é inferior (cerca de 20%), já que o volume total de juros aumenta substancialmente.
Não se esqueça, no entanto, que muitas instituições financeiras exigem como garantia a disponibilização de um imóvel e este deverá ter um valor comercial igual ou superior ao dobro do total de créditos. “Muito dificilmente os consumidores irão conseguir uma consolidação se não tiverem uma habitação para dar como garantia”, refere a Deco.
A verdade é que o recurso à consolidação tem tendência para crescer. Esta procura tem vindo a subir com o sobreendividamento das famílias e com a diminuição do rendimento disponível.



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