Duas edições anteriores captaram investimento de 200 milhões
Kai Pfaffenbach/ReutersSe os idosos norte-americanos viverem muito tempo, o banco ganha. Se morrerem cedo, investidor lucra
Duas edições anteriores captaram investimento de 200 milhões
Kai Pfaffenbach/Reuters
Uma aposta sobre a morte. É desta forma que se resume, em traços gerais, um fundo de investimento comercializado pelo Deutsche Bank que está a agitar a opinião pública alemã.
O produto chama-se DB Life Kompass 3 e baseia-se em apólices de seguros de vida que permitem aos clientes do maior banco alemão apostar indirectamente na expectativa de vida de idosos norte-americanos.
O funcionamento do fundo é simples: o Deutsche Bank adquire apólices de seguros de vida norte-americanos, assumindo a responsabilidade pelo pagamento de prémios no futuro. Quando o segurado morre, o montante da apólice é transferido para o fundo do Deutsche Bank. Se os idosos viverem muito tempo, o banco ganha, mas se morrerem prematuramente é o investidor quem lucra.
O Deutsche Bank compra apólices baseadas em estatísticas de 500 norte-americanos com idades compreendidas entre os 70 e os 90 anos.
Esta já é a terceira emissão do DB Life Kompass. Nas duas edições anteriores, os investimentos ascenderam a 200 milhões de euros, revela o “El Mundo”.
A contestação em torno do fundo reacendeu-se quando o jornal “Frankfurter Allgemeine” voltou a dar destaque a esta modalidade de investimento. Segundo a publicação, um advogado de Hamburgo, Tilman Langer, pediu ao provedor de Justiça da Associação Federal de Bancos Alemães que se pronunciasse sobre este produto. O provedor recusou pronunciar-se sobre a legalidade do produto, que caracterizou como “dificilmente compatível com a dignidade humana”, remetendo o processo para tribunal. Já o presidente da Associação de Seguros de Vida da Alemanha considera que “o modelo de negócio do referido fundo é moralmente aceitável”. Christian Seidl diz que “se assim não fosse, poderíamos inferir que qualquer companhia de seguros de pensões beneficia da morte precoce dos seus segurados”, cita o “El Mundo”.
O Deutsche Bank está também a ser criticado por usar estatísticas de esperança de vida “obsoletas” que prejudicam os investidores, uma vez que os norte-americanos não estão a falecer tão depressa como esperavam.


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