A Caixa Geral de Depósitos (CGD) apresentará na sexta-feira os seus resultados de 2011, com os prejuízos a ultrapassarem os 400 milhões de euros, revelou hoje à Lusa uma fonte do setor financeiro, que pediu para não ser identificada.
Segundo a mesma fonte, a queda significativa da bolsa no ano passado foi a grande responsável pelos prejuízos do banco estatal, que detém participações de relevo em várias cotadas portuguesas, como a Portugal Telecom, o BCP, a Brisa ou a Zon.
E foi precisamente a forte desvalorização da PT que mais pesou sobre os resultados da CGD, que teve de registar as menos valias potenciais com as participações detidas.
A dívida soberana grega (que as seguradoras do grupo CGD detêm em carteira) também pesou sobre as contas do banco público, tal como a imparidade do crédito, que deverá ter tido um ligeiro agravamento face a 2010.
De resto, o próprio presidente executivo da CGD, José de Matos, tinha já levantado o véu sobre os prejuízos no grupo, quando explicou na semana passada que a desvalorização das participações financeiras detidas pela CGD em diversas empresas cotadas pressionará os resultados que o banco público vai apresentar na sexta-feira.
"Os resultados recorrentes da CGD foram positivos no ano passado. Estamos agora a fechar as contas, que serão divulgadas no final da próxima semana", afirmou aos jornalistas José de Matos.
O gestor, que falava aos jornalistas à margem de uma conferência promovida pela Associação Portuguesa de Bancos (APB), em Lisboa, não esclareceu se a desvalorização das participações financeiras e de alguns outros ativos arrastará os resultados da CGD para o vermelho, reforçando apenas que os resultados recorrentes, isto é, sem fatores extraordinários, são positivos e que o banco que lidera continua a fornecer liquidez à economia portuguesa.
Ainda assim, esclareceu que a queda generalizada dos mercados acionistas penalizará as contas do banco estatal.
A CGD junta-se assim à onda de prejuízos que afetou os maiores bancos portugueses em 2011, tal como era esperado pelo mercado.
Os três maiores bancos privados portugueses apresentaram prejuízos de quase 1.100 milhões de euros durante o ano passado. A lista dos piores resultados é encabeçada pelo BCP, que registou um prejuízo de 786 milhões de euros, seguida do BPI, com um resultado negativo de 203,9 milhões, e do BES, com 108,8 milhões de euros. Contrariando a tendência do setor, o Santander Totta conseguiu um lucro de 64,1 milhões de euros.
O Governador do Banco de Portugal justificou a semana passada estes resultados negativos com "fatores não recorrentes" e garantiu que sem os fatores extraordinários que os bancos tiveram de incluir nas contas de 2011, estes teriam tido lucro no ano passado, ainda que abaixo do resultado de anos anteriores.
"Os resultados refletem medidas excecionais e não recorrentes, como a transferência dos fundos pensões, algumas imparidades (apesar de pequenas) e o facto de terem de seguir as recomendações estabelecidas pela Autoridade Bancária Europeia", justificou Carlos Costa, à margem de uma conferência organizada pela Associação Portuguesa de Bancos (APB).
Já o presidente da APB, António de Sousa, alinhou pelo mesmo diapasão, realçando na semana passada que "os prejuízos da banca no ano passado devem-se a acontecimentos não recorrentes", e justificando os prejuízos com a transferência dos fundos de pensões para o Estado, para a dívida grega detida em carteira e para o imposto extraordinário cobrado no ano passado, que ronda os 160 milhões de euros de prejuízo direto para a banca.



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