Descontentamento com actual comissão executiva do banco vai do mundo empresarial ao universo político. Concessão de crédito alimenta polémica
Os entraves à concessão de crédito pelo banco estatal estão a causar mal-estar entre a actual administração da CGD, o mundo empresarial e político. Com o apertar da torneira do crédito, uma vez que a banca nacional enfrenta problemas de liquidez, o i sabe que tem havido pressão ao mais alto nível junto da administração para que sejam financiados determinados projectos, até agora sem sucesso.
O crédito concedido pela Caixa, é aliás, alvo de um crivo apertado. É aprovado em conselho de crédito ou em conselho de crédito alargado, que pode ir até a um máximo de 13 pessoas, consoante os montantes em análise, e sob proposta dos directores.
Mas na sequência do programa de assistência económica e financeira a Portugal, a palavra de ordem para a banca é desalavancar, ou seja, reduzir o crédito concedido em função dos depósitos captados. As autoridades pretendem que os bancos tenham um rácio de crédito sobre depósitos de 120% até 2014. Na prática, isto significa que por cada euro de depósitos os bancos possam emprestar apenas 1,20 euros. No entanto, as autoridades querem que a banca consiga desalavancar a actividade e, ao mesmo tempo, manter o financiamento à economia.
Crédito público O i noticiou ontem que a influência de algumas figuras que chegaram à Caixa Geral de Depósitos no tempo do governo de José Sócrates está a causar mal-estar no topo do banco público. De acordo com o documento a circular na CGD, a influência de algumas figuras como Armando Vara ou Francisco Bandeira em algumas direcções da Caixa, “mantém-se viva” e as nomeações feitas pelos dois “controlam literalmente todo o funcionamento da CGD”.
A direcção da Caixa, que tem nas mãos a gestão do crédito às autarquias e ao Sector Empresarial do Estado, é das mais visitadas no documento. Esta é uma das direcções centrais do banco descrita como “totalmente controlada por elementos afectos a Vara e a Bandeira”. De acordo com o texto “há um grande conjunto de investimentos efectuados pelas autarquias, sem qualquer racionalidade económica, apoiadas pela CGD, com operações de factoring cruzadas, que acabaram por gerar elevados prejuízos nas áreas comerciais da Caixa”.
Esta é uma das direcções que assume grande importância a nível político uma vez que gere os créditos ao sector público empresarial e às autarquias. Num momento de crise económica e com a falta de liquidez na banca, esta gestão assume particular relevo.



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