Transportadora lisboeta apresentou ontem resultados de 2011, ano em que registou um prejuízo de 29 milhões de euros, valor 30% abaixo de 2010
Em 2003 a Carris iniciou um longo processo de reestruturação que levou a uma redução líquida de 1500 empregos até ao final de 2011, várias reestruturações na oferta, tarifários e lançamento de novos serviços para o cliente. Lentamente, a Carris foi recolhendo os frutos deste processo, tendo agora uma longa sequência de indicadores a provar a melhoria gradual nas contas, que só vão tropeçando nos custos financeiros que estrangulam a empresa.
O ano passado não foi excepção na recuperação encetada pela empresa quase há uma década: a transportadora bateu o recorde de EBITDA, com 34,4 milhões de euros, tendo obtido em 2011 o quarto ano consecutivo com este indicador positivo. A ajudar esteve não só a poupança de 13,4% na massa salarial, como o corte em 17,6% nos restantes custos da empresa, valores acima das metas impostas pelo governo.
Graças a estes cortes, a empresa conseguiu melhorar também os resultados operacionais no ano passado para 15,1 milhões de euros, obtendo valores positivos neste indicador pela segunda vez desde pelo menos 2003 e pulverizando a marca recorde de 2008: nesse ano os operacionais da foram positivos em 2,2 milhões de euros. Neste indicador vê-se igualmente a melhoria constante dos últimos anos nas contas da transportadora: de 2003 a 2007 a empresa melhorou os resultados operacionais de -61 milhões para -22,9 milhões, para em 2008 conseguir 2,2 milhões positivos, valor que nos dois anos seguintes voltou ao vermelho – nunca superior a 17 milhões –, tendo agora batido o recorde.
Evolução semelhante vão registando os resultados líquidos, que ainda assim prosseguiram no ano passado em terreno negativo, com perdas de 29,3 milhões de euros – segundo melhor registo desde 2003, apenas superado pelas perdas de 17,3 milhões em 2008. O prejuízo de 2011 representa uma melhoria de 30% face a 2010.
Em sentido totalmente inverso evoluem, contudo, os resultados financeiros da Carris, que em 2011 duplicaram com a descida dos ratings e o apertar total da torneira de crédito. Se entre 2008 e 2010, a empresa não perdeu mais de 20,6 milhões a 26,4 milhões nos resultados financeiros, no ano passado este valor saltou para 44,5 milhões negativos.
mais 200 rescisões este ano “É possível continuar a reduzir custos e isso passa, entre outras coisas, por uma dispensa de cerca de 300 trabalhadores, por rescisões de mútuo acordo”, avançou ontem Silva Rodrigues, presidente da Carris, durante a apresentação dos resultados. Este valor resulta da redução da oferta que a Carris vai por em prática já em Março. Entre 2006 e 2010 a transportadora rescindiu com 430 trabalhadores, número que este ano atingirá mais 200 trabalhadores – já que cem dos 300 referidos já chegaram a acordo.



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