Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia
Christophe Karaba/EPA/LUSAA Comissão Europeia anuncia hoje projeções económicas que, para Portugal, deverão significar uma recessão este ano ainda mais grave que o inicialmente previsto e um crescimento nulo em 2013, segundo economistas contactados pela Lusa.
"Julgo que este ano deveremos ter [uma recessão] por volta dos 3,5 por cento, e para o ano é muito difícil que [a retoma atinja] 1 por cento. Já ficaria muito satisfeito se em 2013 não houvesse recessão, ficar pelos zero por cento seria ótimo", disse à Lusa Jorge Santos, professor do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) de Lisboa.
Gonçalo Pascoal, economista-chefe do Millennium bcp, tem expetativas semelhantes relativamente à evolução da economia portuguesa.
"Estamos à espera de números perto [de uma contração do PIB de] 3,5 por cento este ano, e mais próximos do zero no ano que vem", afirmou Pascoal.
Esta revisão em baixa "não constitui propriamente uma surpresa", acrescenta o economista do BCP: "Se pegarmos nas projeções do Banco de Portugal que saíram no início deste ano, as coisas já estavam mais ou menos alinhadas por um padrão semelhante. Ter 0,3 por cento de crescimento ou ter zero, a este tempo de distância não me parece fantasticamente relevante."
Jorge Santos concorda que uma revisão em baixa das previsões sobre o crescimento da economia portuguesa não é surpreendente.
"A menos que as coisas passem a correr muito bem na Europa", não é de esperar uma mudança de tendência, diz o professor do ISEG. "Tendo em conta todas as medidas de diminuição do rendimento das pessoas, o que está a acontecer ao crédito das empresas, é muito difícil que haja uma inversão."
Para a economia portuguesa, o "grande objetivo é que as exportações cresçam, e para isso era bom que os nossos parceiros também crescessem", diz ainda Jorge Santos. "Desse ponto de vista, as coisas estão um bocadinho complicadas."
A Comissão Europeia apresenta hoje, em Bruxelas, as previsões económicas intercalares, alargando excecionalmente este ano aos 27 Estados-membros as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e inflação para 2012.
Tradicionalmente, as previsões interinas -- publicadas em fevereiro e setembro, entre as (mais extensas) previsões económicas do outono (novembro) e primavera (maio) -- apenas atualizam as projeções para o ano corrente de dois indicadores (crescimento do PIB e inflação) para os sete maiores Estados-membros (Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Espanha, Holanda e Polónia), assim como agregados da zona euro e UE.
Todavia, este ano, o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Olli Rehn, "decidiu excecionalmente pedir aos seus serviços" que alargasse as previsões aos 27 Estados-membros "devido às rápidas alterações nas circunstâncias económicas", explicou na quarta-feira o seu porta-voz, Amadeu Altafaj Tardio.
Nas suas projeções de novembro, a Comissão previu que este ano Portugal sofrerá uma diminuição de 3 por cento no seu Produto Interno Bruto (PIB). Para 2013, no entanto, a Comissão já esperava uma ligeira retoma, com um crescimento de 1,1 por cento.
As projeções atualizadas entretanto reviram estes valores em baixa, refletindo a continuada deterioração de outros indicadores. O Banco de Portugal avançou em janeiro a previsão de uma quebra do PIB de 3,1 por cento, e de uma retoma em 2013 de apenas 0,3 por cento.
Nas últimas previsões apresentadas pelo Governo, a expetativa para 2012 era de uma contração do PIB de 3 por cento.



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