O sistema bancário português passou no teste da troika ao fechar as contas de 2011 com rácios “confortavelmente” acima de 9%
Desde o final de 2008, altura em que a crise financeira se intensificou após a falência do Lehman Brothers, os bancos portugueses já reforçaram os capitais mais de 7 mil milhões de euros.
Os rácios de capital, em especial o core tier 1 (medida mais exigente para avaliar a solvabilidade de um banco), aumentaram cerca de 28,5%, de 21 mil milhões de euros em Dezembro de 2008 para 28 mil milhões em Setembro de 2011 – um reforço acumulado de 7 mil milhões, que reflecte um crescimento médio trimestral de 2,3%, segundo as contas do Banco de Portugal (BdP). Este número peca, no entanto, por defeito, uma vez que ainda não contabiliza os dados do último trimestre do ano passado.
No final de 2008, o sistema financeiro português tinha um rácio de capital core tier 1 de 6,8%, um valor que aumentou para 8,5% em Setembro de 2011, excluindo BPN e BPP. De acordo com dados preliminares, o BdP garante que o sector fechou as contas de 2011 com rácios “confortavelmente acima dos 9%”, cumprindo assim o valor exigido pela troika no Memorando de entendimento assinado com o governo português.
“O aumento gradual de solvência exigido pelos órgãos reguladores reflectiu mudanças no paradigma de capital, reforçando a necessidade de manter mais capital e melhor”, afirma a entidade liderada por Carlos Costa.
Os bancos foram chamados a aumentar o capital num contexto de acesso ao financiamento muito apertado nos mercados e a braços com uma deterioração generalizada do ambiente macroeconómico. Ainda assim, salienta o regulador bancário, a banca atingiu os requisitos sem proceder a uma redução brusca dos activos do balanço, nomeadamente o crédito a clientes em particular (cerca de 70% dos activos totais). “Os bancos mostraram um compromisso responsável com o financiamento da economia portuguesa”, elogia o BdP, salientando que as metas foram alcançadas através de “aumentos de capital, conversão de títulos de dívida em acções ordinárias, recompra de dívida no mercado e a não distribuição de dividendos e a incorporação desses montantes em reservas.
Entre os quatros bancos privados que apresentaram as contas de 2011, o Santander Totta tem a melhor classificação, cumprindo todos os requisitos da troika antes do tempo. O banco agora presidido por António Vieira Monteiro reportou um core tier 1 de 11,7%, superando a exigência do Banco de Portugal para o final deste ano (10%).
O BPI apresentou o rácio mais elevado entre os três bancos cotados, 9,5%. No BCP, o core tier 1 do BCP atingiu no ano passado o valor mais elevado de sempre, nos 9,4%, o dobro do que tinha quando começou a crise financeira. Também o BES ultrapassou o mínimo exigido com um rácio de capital de 9,2%.
A Autoridade Bancária Europeia ainda está a analisar os planos da banca europeia, mas tenciona divulgar informação sobre os progressos do exercício de recapitalização após a reunião do conselho de supervisores, que se iniciou ontem e termina hoje.



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