A nova geração da selecção da Zâmbia tem vindo a crescer de CAN para CAN. 2004 foi o último ano em que falharam o apuramento e daí para cá foram crescendo e deixaram de ser uma equipa simpática que não passa da fase de grupos (2006 e 2008) para começarem a ameaçar nos quartos-de-final (2010). Este é o ano do título?
01 Desastre aéreo. Foi a 27 de Abril de 1993, mas mantém-se na memória de todos os que que fazem parte da selecção. A Zâmbia tinha uma das equipas mais talentosas de África em 1993, mas um acidente de aviação deitou por terra todas as aspirações de conseguir bons resultados, começando pelo apuramento para o Mundial-1994, que até estava bem encaminhado. O voo ia ligar Lusaka a Dakar, mas o avião caiu pouco depois da segunda paragem para abastecer, em Libreville. Curiosamente, quase 19 anos depois, será precisamente em Libreville que a Zâmbia vai lutar pela primeira CAN da história. E o presidente da federação não podia estar mais orgulhoso: é Kalusha Bwalya, o melhor jogador da história dos Chipolopolos, e um dos poucos que não estavam no avião que sofreu o trágico acidente.
02 Kalusha Bwalya. Marcou 50 golos em cem internacionalizações pela Zâmbia. Escapou ao acidente por estar a jogar na Europa, ao serviço do PSV Eindhoven. O cartão-de-visita foi dado na Bélgica, pelo Cercle Brugge, mas foi na Holanda que se assumiu como um dos maiores talentos africanos na Europa. Jogou ao lado de Romário e tornou-se um jogador temível para as defesas adversárias. Depois, exceptuando uma breve passagem pelos Emirados Árabes Unidos, passou por vários clubes mexicanos.
03 Final. O desastre aéreo de 1993 destruiu a equipa, mas o rescaldo não foi tão mau como se podia esperar no início. Embalados pela vontade de honrar os companheiros mortos, os zambianos atingiram a final da CAN em 1994. Perderam, com a Nigéria, e nunca mais voltaram a atingir o mesmo palco até este ano. Pelo meio, um terceiro lugar em 1996 e um apuramento para os quartos-de-final em 2010.
04 Portugal. A ligação entre os dois países não é muito forte mas já houve jogadores a fazerem a ponte aérea. O último foi Rainford Kalaba, precisamente um dos jogadores que estarão na final. Agora ao serviço do TP Mazembe, o médio ofensivo chegou ao Sp. Braga em 2008 e só abandonou Portugal em 2010 após passagens por Gil Vicente e U. Leiria. Mbesuma (Marítimo, 2006/07), Mutapa (1998/99), Chikabala (Marítimo, 1990/91) e Chanda Bwalya (Sp. Espinho, 1998/99) são outros exemplos.
05 Futebol. De acordo com os dados da FIFA da grande contagem de 2006, a Zâmbia tem 992 786 praticantes masculinos e 32 031 femininos, mas apenas 101 são profissionais. Há 470 clubes e 448 deles têm uma equipa feminina. O total de praticantes representa uma percentagem de 8,91% da população (em Portugal é 5,16%).
06 Importância social. O futebol desempenha um papel essencial na vida dos zambianos. O comentador Denis Liwewe sintetiza a importância no documentário “Lusaka Sunrise”, disponível no YouTube: “Não é fácil juntar 73 tribos diferentes que falam, literalmente, 73 dialectos diferentes, num só grupo. E o futebol desempenha um papel fundamental para garantir essa união.” É também através do futebol que a Grassroot Soccer procura consciencializar a população no combate ao HIV. Zâmbia, África do Sul e Zimbabué são os países onde a instituição está instalada.
07 País. Independente desde 24 de Outubro de 1964, a Zâmbia tem actualmente cerca de 13 milhões de habitantes, com uma grande concentração na capital, Lusaka. O inglês é a língua oficial, mas há mais sete línguas regionais reconhecidas oficialmente. As Victoria Falls são o ponto turístico mais interessante.
08 Viagem. Se decidir visitar a Zâmbia nos próximos tempos, pode contar já com um esforço monetário a ter em conta. A viagem de avião ronda os mil euros e exige sempre duas escalas. Contando com os tempos de ligação no aeroporto, demora sempre pelo menos 16 horas. Os valores de estada por noite começam nos 75 euros, mas também há valores para outros gostos e carteiras.



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