Nesse ano um desastre aéreo matou 18 jogadores. Mesmo assim, a selecção zambiana foi finalista da CAN-1994. Agora repete a presença
Para um jogador africano, a Europa é quase sempre o destino de sonho. A travessia do Mediterrâneo significa uma vida melhor, mas também uma perspectiva diferente sobre o futebol. Aprende-se outro estilo de jogo, mesmo que isso implique contaminar a essência do jogo africano. Kalusha Bwalya é ainda hoje considerado o melhor futebolista zambiano de todos os tempos. Em 1988 ficou famoso por um hat-trick à Itália nos Jogos Olímpicos (vitória da Zâmbia por 4-0). Nessa altura jogava no Cercle Brugge, depois foi para o PSV. Fazia vida na Europa, de onde saía com frequência para jogar pela selecção. E foi isso que lhe valeu, a 27 de Abril de 1993, quando o avião que transportava a Zâmbia para um jogo no Senegal caiu no oceano Atlântico, perto do Gabão. Morreram todos os passageiros, incluindo 18 jogadores. Bwalya escapou ao acidente porque voava directamente da Europa para o Senegal.
Além do luto, a Zâmbia parecia condenada à obscuridade no futebol. Falhou a qualificação para o Mundial, um feito. Mas a CAN-1994, na Tunísia, deu a conhecer outra realidade. Com Bwalya no ataque, a selecção foi até à final (perdeu 2-1 frente à Nigéria, com dois golos de Amunike). O antigo avançado foi eleito presidente da federação em 2008 e ajudou a preparar a equipa que agora repete a presença na final.
Em Abril de 2010, em entrevista ao i, Bwalya contou que via muita qualidade nesta geração. “Há vários jogadores com grande potencial e que ainda têm mais quatro anos [até ao Mundial-2014], pelo menos, para alcançar excelentes resultados com a selecção. Não sei se poderá ser mais forte [que a de 1993, que se perdeu no desastre de avião], mas é pelo menos a melhor desde a minha equipa.”
Ontem, bem antes do golo de Emmanuel Mayuka (78’) – um dos dois zambianos desta selecção a jogar na Europa –, o Gana teve um penálti a favor. Mas Asamoah Gyan, tal como no Mundial-2010, falhou no momento decisivo: permitiu a defesa a Mweene e deixou que a Zâmbia arrancasse para a vitória e para a segunda final.



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