Italiano demitiu-se do cargo em desacordo com a federação, mas em comunicado deseja boa sorte a todos e agradece “aos jogadores, restante pessoal e à federação inglesa”
A semana fica marcada pela estreia de “The Iron Lady” nos cinemas. “A Dama de Ferro”, na tradução portuguesa, é a história de como Margaret Thatcher (Meryl Streep) chegou ao poder em Inglaterra e os desafios que teve de enfrentar quando tudo parecia contra ela. Se Thatcher era uma lady, Fabio Capello é um gentleman. O italiano chegou a Londres com o registo de polémicas intacto e sai exactamente da mesma forma.
Fabio Capello era um dos alvos mais apetecíveis do mercado quando chegou à federação inglesa, em 2008. O currículo construído no Real Madrid e em Itália (foi campeão no Milan, no Roma e na Juventus) falava por ele. Fabio Capello tinha tudo para manter a tendência em Inglaterra. O cargo de seleccionador inglês pode ser visto como um dos mais complicados no mundo futebolístico, mas o italiano estava convencido que não ia repetir os erros dos antecessores. Eriksson ficou marcado pela traição à mulher e Steve McLaren pelo insucesso na fase de apuramento para o Euro-2008. Com Capello tudo mudou. A conduta fora de campo foi sempre irrepreensível e dentro de campo a Inglaterra apurou-se para o Mundial-2010 e para o Euro-2012.
Não foi suficiente. Habituada a escândalos, a imprensa inglesa estranhou e tentou alimentar polémicas. Ainda assim, foi John Terry a precipitar o pedido de demissão. O capitão do Chelsea vai ser julgado por um alegado episódio racista em Julho e a federação inglesa decidiu retirar a braçadeira de capitão sem consultar o técnico. Como bom italiano e líder de balneário, Fabio Capello decidiu abandonar o barco. Mas sem chapinhar na água, ou seja, fê-lo de forma cavalheiresca, apesar de a sua autoridade ter sido desafiada. O comunicado prova que não tem perfil para polémicas: “Quero agradecer aos jogadores, restante pessoal e à federação pelo profissionalismo que mostraram nos meus anos como seleccionador.” O técnico não esqueceu os adeptos, com um “adeus especial”, e lançou o desejo de que todos possam “atingir os mais altos objectivos propostos”.
O presidente da federação, David Bernstein, reiterou a ideia de que a iniciativa da demissão foi de Capello. “Todos pensávamos que o julgamento de Terry teria lugar em Março ou em Abril. Quando foi decidido que ficaria para Julho, decidimos retirar a braçadeira a Terry.” “Quando nos reunimos com o Capello, ele apresentou a demissão e eu concordei, creio que foi a decisão certa. Sei que o seleccionador é a pessoa mais importante, mas há momentos em que o presidente deve assumir a responsabilidade”, continuou Bernstein. O Chelsea surge naturalmente associado ao caso, mas Villas-Boas negou ontem qualquer responsabilidade por ter pedido o adiamento do julgamento: “Não temos nada a ver com as consequências que se seguiram. Vai ser muito difícil para a federação encontrar alguém com o currículo do Fabio.”
O sucessor provisório de Capello é Stuart Pearce, responsável pelos sub-21. O antigo internacional vai orientar a equipa no particular com a Holanda e Bernstein relembra que “tem uma experiência enorme e conhece os jogadores muito bem”. O verdadeiro sucessor? “A prioridade será encontrar um novo seleccionador. Vamos concentrar-nos para isso e consegui-lo o mais cedo possível”, explica, realçando que num perfil ideal será um inglês. Se não for, Mourinho e Hiddink podem estar na lista.



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