Regresso do argentino deu outra força à equipa. Penálti do avançado ajudou, mas os leões sofreram até ao fim
Crise é uma história do Sporting dos últimos anos, com mais assobios do que aplausos, mais erros do que tiros certeiros, mais confusões do que momentos de estabilidade. Culpem-se os treinadores e os jogadores, os dirigentes e até os adeptos. A responsabilidade é de todos, nenhum escapa aos empates nem às derrotas que trouxeram os leões até aqui. A maioria tem saído pela porta pequena, com a cabeça a olhar para o chão, com os ouvidos cheios de críticas e exigências não satisfeitas.
Rinaudo é uma história dentro do Sporting. Na apresentação, quando era ainda um desconhecido para a maioria, prometeu “sacrifício e muita garra”. As palavras valem pouco se em campo não se transformam em acções. Mas o argentino cumpriu o prometido, pegou no lugar de trinco como quem guarda um segredo a todo o custo. Foi com ele que a equipa sobreviveu à crise do início da época e partiu para uma série de dez vitórias consecutivas. No dia em que Rinaudo sofreu uma fractura no tornozelo, na Roménia, o Sporting voltou a perder. A partir daí, em 17 jogos, ganhou apenas sete vezes.
Domingos assumiu que tinha pela frente o jogo mais importante do ano. Aqui estava a diferença entre uma época aceitável – caso o Sporting vença a Taça de Portugal – e mais uma campanha para esquecer. Por isso evitou a conferência de imprensa na véspera, trocou-a por um vídeo no site do clube. Por isso não abdicou de pôr Rinaudo no lugar que lhe pertence, apesar de o médio estar longe do ritmo ideal. Pelo caminho apostou também na estreia de Xandão para substituir Onyewu – castigado pela expulsão no jogo com o Gil Vicente.
Com Rinaudo, o Sporting transformou-se. Passou a ter um elástico a manter a defesa perto do ataque, um jogador que não desiste nem deixa que os outros o façam. A lesão ainda está presente e por isso também se viu Fito com pés de lã num ou noutro lance. Não foi o que aconteceu aos 18 minutos, quando uma bola perdida ficou ali mesmo a jeito. Rinaudo correu, chutou com força – ainda levou com o pé de Todorovic – e viu o resto à distância:um desvio no poste e golo para o Sporting. De olhos no céu, com os colegas à volta, o trinco sorriu e agradeceu. Era o pontapé na crise de que Luís Duque falava à partida para a Madeira.
Nestas coisas não há soluções completas. O mesmo é dizer que o Sporting continua ferido pelas tormentas dos últimos meses. O Nacional, à partida confortável a jogar na Choupana, perdia-se nos percalços. Pedro Caixinha teve de fazer duas substituições ainda na primeira parte (Moreno aos 19’, Vladan em cima do intervalo), ambas por lesão. No início da segunda parte ainda fica sem Rondon, que viu o segundo amarelo. Mesmo assim, os insulares acertaram no Sporting com a mesma convicção dos adeptos que tocam bombo nas bancadas do estádio. E,com a cortesia de um passe longo de Claudemir, Diego Barcellos cabeceou para o empate enquanto Polga admirava a paisagem em vez de apertar a marcação.
Ricky van Wolfswinkel é outra história dentro do Sporting. Enquanto Rinaudo segurava o meio-campo na série de vitórias, o holandês andava na frente a marcar golos atrás de golos. Afonte secou (entretanto, com a lesão, fechou mesmo) e os resultados pioraram. Ao fim de mais de seis horas sem um golo, Van Wolfswinkel teve um penálti – Insúa sentiu a mão de Claudemir no peito e caiu – para reabrir a torneira. Enada melhor do que simplificar: o avançado rematou para o meio da baliza e fez o 2-1.
Foi mais um pontapé nos problemasque não resolveu o assunto de vez. Reduzido a dez jogadores, o Nacional ainda apertou o Sporting nos últimos dez minutos do jogo. Keita falhou duas oportunidades enquanto os leões tremiam na defesa eRui Patrício ainda defendeu um remate de Mateus.
O Sporting estava outra vez no limite, preso pelo fio que impedia o Nacional de empatar e levar o jogo para o prolongamento. No momento decisivo, João Pereira agarrou na bola e arrumou a meia-final. Partiu pela direita, passou por onde quis, como quis e só parou quando Marcelo Valverde já lamentava mais um golo sofrido. Foi uma forma de o lateral compensar o susto que tinha provocado no início do jogo, quando fez um corte que por pouco não deu autogolo – a bola foi à barra. Os leões vão para a 25.ªfinal da Taça de Portugal e podem respirar um pouco mais. Porque Rinaudo voltou, porque Van Wolfswinkel marcou, porque a equipa ganhou.



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