Com apenas uma vitória nos últimos seis jogos, os leões estão na pior fase desde o início da época. O trabalho de Domingos não está em causa, mas há pormenores que têm feito a diferença. Dos erros de Polga ao cansaço de Capel, passando pelas muitas lesões no plantel, o Sporting corre o risco de comprometer a classificação na Liga e o futuro na Taça. E no domingo joga com o Sp. Braga
Uma questão central: Polga caminha para o fim da linha
Uma das maiores diferenças entre este Sporting e o das épocas anteriores tem sido a relação com o público. Frente ao Nacional, quando a equipa sofreu o primeiro golo, os adeptos responderam com aplausos de incentivo. O mesmo já não aconteceu no lance do segundo. Polga perdera a bola que Candeias atirou para a baliza. E aí o público castigou o central com assobios, como viria a fazer até ao fim do jogo – houve apenas uma excepção, quando Polga fez um corte exemplar. A paciência para o brasileiro, agora capitão de equipa, há muito que se esgotou. E os erros do último jogo obrigam Domingos a pensar com alguma urgência em substituí-lo. Xandão, emprestado pelo São Paulo, está dependente do certificado internacional para começar a jogar. Mas assim que tiver autorização pode roubar o lugar a Polga. Caso forme dupla com Onyewu, a altura será o último dos problemas do Sporting (ambos têm 1,93 metros). Ou será antes o primeiro? Regra geral, convém haver um equilíbrio nas características dos centrais. E neste caso faltaria velocidade à dupla Xandão-Onyewu. Com Rodríguez de volta, fará mais sentido que Domingos aposte na titularidade do peruano ao lado de um dos gigantes. Seja como for, o norte-americano já é indiscutível no onze, por isso só haverá dúvidas quanto ao parceiro. Carriço tem cada vez menos espaço e para Polga é evidente que o fim da linha está a chegar.
Danos (co)laterais: Insúa e João Pereira sempre espremidos
Grimi, André Marques, Ronny e Had: a mediocridade das opções para lateral esquerdo foi um dos motivos que levaram o Sporting ao fracasso no passado recente. Mesmo Rodrigo Tello, que saiu de Alvalade com mais fãs do que críticos, nunca foi consensual. Com Insúa essa questão ficou resolvida. O argentino é consistente a defender, talvez ainda mais a atacar. Etem pulmão e pernas para subir e descer pelo corredor vezes a fio ao longo do jogo. Do lado oposto, João Pereira também tem fama de lateral ofensivo e costuma tirar-lhe o proveito. No fundo, Domingos tem neles uma estratégia viável para criar desequilíbrios na defesa do adversário. E explora-a com frequência. Até de mais. Em vários momentos do jogo sente-se que o Sporting depende muito dos ataques de Insúa e João Pereira para ganhar espaço no meio-campo ofensivo – às vezes chegam a avançar no campo ao mesmo tempo. Por outro lado, quando os laterais se aproximam logo dos extremos, as saídas de bola da equipa leonina ficam entregues aos centrais. Como as outras equipas costumam pressionar mais o jogador que vem receber a bola no corredor central, qual é a solução? Passes longos lá para a frente. Em mais de 90% dos casos, a bola vai parar aos pés de um adversário. Ora Onyewu e Polga têm tanto de Beckham como de Messi, por isso deviam moderar a aposta nos passes de 40, 50 e 60 metros.
Cansaço acumulado: rendimento de Capel e Carrillo em queda
A euforia à volta de Diego Capel acalmou nos últimos jogos, com o extremo espanhol a perder muito do gás que mostrou no início da época. As arrancadas pelo lado esquerdo passaram a ser cada vez menos, o número de cruzamentos também caiu e Capel atingiu o ponto da exaustão. Domingos percebeu isso. No jogo com o Nacional preferiu deixá--lo a descansar até perceber que lhe fazia falta mais um extremo para dar ritmo às alas. Carrillo já tinha entrado a acabar a primeira parte, Capel seguiu o mesmo caminho ao intervalo. E mesmo só jogando 45 minutos deu para ver que o poder de explosão, nesta fase, não é o mesmo. Uma das opções mais recorrentes de Domingos tem passado por substituí-lo por Evaldo e adiantar Insúa, outra prova de que confia no argentino para avançar ainda mais no lado esquerdo do ataque. De Carrillo, tal como acontece com Capel, também se espera que tire do bolso uma imitação de Usain Bolt e deixe adversário atrás de adversário pelo caminho. Mas o rendimento do peruano tem sofrido com as exigências dos últimos jogos – o clássico foi um dos melhores exemplos. Jeffrén está de volta, embora a milhas da melhor forma. E Matías Fernández rende muito mais no meio. Ou seja, Capel e Carrillo são mesmo as melhores opções para as alas. O esforço dos dois extremos tem é de ser gerido com cuidado, não vá aparecer mais uma lesão no plantel.
Lesões em série: Izmailov é só o caso mais crónico
Algo estranho se passa quando, entre os jogadores mais utilizados, apenas sete ainda não estiveram lesionados. Rui Patrício, João Pereira, Evaldo, Schaars, André Santos, Elias e Capel são os únicos resistentes de uma onda de problemas físicos que já levou os centrais – daí a utilização de Tiago Illori com a U. Leiria, por exemplo, na 10.a jornada – mas também médios, extremos e avançados. Há casos para todos os (des)gostos. O mais crónico e conhecido é o de Izmailov, dono de um joelho pouco fiável. No regresso aos jogos da Liga, com o FC Porto, quatro meses depois da última vez, fez uma distensão muscular na anca esquerda. Desta vez, pelo menos, não é grave. E o russo tem outros seguidores no departamento médico do Sporting. Jeffrén tem sido um dos mais assíduos. Na derrota com o Marítimo (2-3, em casa, a 28 de Agosto), lesionou-se ao marcar um golo de livre. Voltou dois meses depois, com o Feirense, para durar apenas 29 minutos. Frente ao Nacional resistiu 45 minutos, pouco mais de um quinto do tempo de jogo que leva esta temporada. Ainda há Rinaudo e Rodríguez: nenhum deles foi visto em campo desde a viagem à Roménia para defrontar o Vaslui. O médio argentino recupera de uma fractura no tornozelo; o peruano já está bem, mas Domingos ainda não o relançou na equipa. De resto, se o Sporting quer continuar a lutar por títulos, precisa de um plantel mais saudável.
Crise de avançados: Van Wolfswinkel é o único de fiar
Em Alvalade podia haver um novo ditado: mais vale um Van Wolfswinkel lesionado que um Bojinov a jogar. É verdade que, antes de se lesionar, o holandês andava em crise. Nem parecia o mesmo avançado que em dez jogos marcou dez golos. Nessa fase, Van Wolfswinkel passou a justificar o dinheiro (5,4 milhões de euros) que o Sporting pagou por ele. Entretanto até surgiram rumores de que haveria clubes espanhóis e ingleses interessados em contratá-lo. É natural que isso aconteça quando um avançado rende. Por outro lado, nos últimos dez jogos só marcou três vezes. Da mesma forma, faz todo o sentido que Bojinov seja considerado um mau investimento, mesmo que tenha custado cerca de metade (2,6 milhões de euros) do passe do holandês. A verdade é só uma: Bojinov tem apenas três golos, todos em jogos que já estavam desequilibrados a favor dos leões (bis no 6-1 ao Gil Vicente e um golo no 2-0 ao Zurique). E o búlgaro não mostra alegria nem vontade de correr atrás da bola e pressionar os defesas – o que Van Wolfswinkel faz com frequência. Agora, além de Diego Rubio (que não joga há um mês), Domingos tem Sebastián Ribas. Caso o principal goleador falhe alguns jogos, o jovem uruguaio terá oportunidade de mostrar o que vale. E de mostrar a qual dos lados pertence – aos goleadores ou às desilusões. Com apenas uma vitória em seis jogos, o Sporting precisa de mais gente que marque golos.



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