Quando ataca o cesto, até parece que os adversários não querem estar por perto
reutersEstrela dos Miami Heat lamenta que seja sempre o vilão, até quando deixa de haver leite na mercearia ou os desenhos animados são maus
Quando ataca o cesto, até parece que os adversários não querem estar por perto
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LeBron James é indiscutivelmente o jogador com mais capacidade física na NBA. Consegue desempenhar várias funções e enfrentar, a atacar ou a defender, todo o tipo de adversários, de bases a postes. Falando de talento, não se pode dizer que tenha motivos de queixa. Mas há dois pontos que lhe continuam a dar a volta à cabeça: tem 27 anos e ainda não ganhou qualquer título, apesar de duas finais perdidas; a mudança de Cleveland para Miami continua a ser vista como um acto de traição. E enquanto assim for LeBron James não terá descanso.
O extremo sabia que ia ser assim. Pouco tempo depois de anunciar que ia “levar os talentos para South Beach”, gravou um anúncio com a Nike em que o baseline era: “O que devo fazer?” Entre várias ideias, James perguntava se deve aceitar o seu papel como vilão. Um ano e meio depois parece que James deixou de ter paciência para desempenhar esse cargo.
Na semana em que voltou a constar da lista dos desportistas mais odiados dos Estados Unidos (6.o), LeBron James envolveu-se numa polémica com Kendrick Perkins, que não gostou que James tivesse escrito uma entrada no Twitter a gabar o afundanço de Blake Griffin sobre o poste dos Oklahoma City Thunder. “Afundanço do ano! @blakegriffin acabou de afundar em cima do Kendrick Parkins de forma tão forte! Acho que sou o número dois agora”, escreveu. A resposta não se fez esperar. Aos jornalistas, Perkins lembrou que jogadores como Michael Jordan e Kobe Bryant não fazem esses comentários: “Quando se é um jogador de elite, jogadas daquelas não te deixam entusiasmado. Afinal esses jogadores estão a jogar para tentar ganhar campeonatos e não se preocupam com um lance. Sinto que [LeBron] está sempre a tentar ter toda a atenção do mundo para ele.”
As críticas de Perkins deixaram LeBron James perplexo. “Nunca pedirei desculpa por estar apenas a comunicar com os meus fãs. Eu critiquei-o naquele lance? Vocês leram o que escrevi? Eu critiquei-o? Compreendo que ele se sinta embaraçado. Não acho que tenha sido o único a reagir à jogada inacreditável do Blake Griffin. Se o lance fosse ao contrário, teria dito exactamente o mesmo”, respondeu.
Se o papel de vilão já foi visto de forma natural no passado, agora parece que o cansaço mental se apoderou do jogador que em 2011 voltou a perder a hipótese de conquistar o tão ambicionado título. “Sou um alvo fácil. Se há alguém a querer culpar alguém, a apontar o dedo por alguma coisa, basta atirar o nome do LeBron para o meio. Podes estar a ver desenhos animados com os teus filhos e se não gostas dizes ‘A culpa é do LeBron!’. Se fores à mercearia e eles não tiverem o leite de que tu gostas, dizes apenas ‘A culpa é do LeBron!’”
A semana está a ser difícil, mas a temporada tem-se mostrado menos complicada que a do ano passado. Os assobios nos pavilhões diminuíram e os Heat são considerados a principal ameaça ao título. Apesar da derrota na madrugada de ontem com os Orlando Magic, a equipa de Miami segue na liderança da Divisão Sudoeste com 19 vitórias e sete derrotas, que se traduz no segundo melhor registo da conferência. Com o objectivo do título em mente, a opinião de Larry Bird (afirmou que preferia jogar com Kobe a jogar com LeBron) não é vista como uma crítica: “É simples. O Kobe tem cinco títulos, eu não tenho nenhum. É fácil dizer isso. Se fosse eu a ter os títulos, estou convencido que seria ao contrário.”


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