Cristiano Ronaldo
Ai vale jogar com cinco graus negativos e num campo sintético? Bom, então a Adidas patrocina umas botas específicas para o Madrid. Na véspera do jogo, as chuteiras são entregues aos jogadores (Coentrão, Kaká, Xabi Alonso e Casillas) e até a José Mourinho, que as experimenta num badalado concurso de penáltis com o seu adjunto Silvino. As botas são as mais leves do mercado (215 gramas) e a sola tem 22 pitons para uma maior distribuição de peso por piton.
Ai não há bwin nas camisolas do Madrid? Pois é, na Rússia, não se brinca em serviço e é proibido o patrocínio das casas de apostas. Perde a bwin, ganham as camisolas do Madrid. Branco mais branco não há. Assim é que é bonito, mas o Madrid demora a entrar no jogo. Estão cinco graus negativos mas há ali uns homens valentes, sem collants. Como Benzema. Único a treinar-se de calções, o francês lesiona-se sozinho depois de um remate, aos 14 minutos. E agora? Bronca, escândalo... Não, nada disso. No banco, está Higuaín. E ainda Marcelo e Kaká. Entra o argentino, por supuesto.
Ai vale remates de força? Essa é boa... Pois é, Cristiano Ronaldo não está com meias medidas e faz o 1-0 num remate com o pé esquerdo, a aproveitar o completo desnorte da defesa do CSKA. Primeiro, Alexei Berezutski deixa-se antecipar por Higuaín na linha lateral, depois é Shennikov quem falha o corte de cabeça após o cruzamento de Coentrão. No quadradinho seguinte, vê-se Ronaldo a festejar o golo, o seu 33.o na Champions (igual a Morientes, mas ainda fora do top 10), o 42.o na presente época e o 11.o de 2012. E o Luzhniki volta a soar como talismã para o internacional português, depois de ter ali ganho a única Liga dos Campeões da sua carreira, pelo Manchester United, em 2008.
Ai o Madrid não faz o 2-0? Cuidado, muito cuidado, que isto de brincar com o fogo no gelo tem o que se lhe diga. Aos 51’, Ronaldo liberta Callejón e este remata atabalhoadamente para fora. Aos 52’, o mesmo Callejón finta dois russos mas topa com a segurança de Chepchugov, titular na ausência do lesionado Akinfeev.
Ai o General de Inverno é um mito? Não senhor, ele anda aí e está mudado. Agora chama-se mercado de Inverno. Em Janeiro, o CSKA vai buscar um médio sueco ao AZ. Chama-se Pontus Wernbloom e está pronto para a estreia. A sua primeira acção ao serviço dos russos é aos quatro minutos: falta para amarelo sobre Ronaldo. É só falta.
A segunda acção é uma cotovelada leve (isso existe?) a Higuaín. Só falta. Aos 43’, encontra-se com Ronaldo, cabeça com cabeça. Só falta mais esta. Aos 67’, agarra Özil e, vá, amarelo.
O Madrid exaspera com tanta agressividade do CSKA e passividade do árbitro. Irrita-se. Cansa-se. Perde consistência e controlo de bola. O CSKA faz duas substituições. Uma torna--o mais rápido, a outra dá-lhe outro elan. Com Honda em campo, Necid nem é tarde. O CSKA acerca-se de Casillas, ainda imbatido nesta Champions. Aos 90’+3, livre da direita por mão de Coentrão (fintado pela enésima vez por Oliseh), dois toques e remate de primeira do vilão. Quem? Wernbloom, olha quem! O sueco faz o empate, impede o Madrid de somar a sétima vitória consecutiva na Champions (o recorde continua a pertencer ao Barcelona de 2003) e...
Ai julga que isto está acabado? Calma, dia 14 de Março há mais. Num relvado natural.



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