Quinito e Damas
ASFHá 35 anos, em Santander, no Racing, dois portugueses jogam no mesmo onze mas é Quinito quem dá espectáculo. Com esta entrevista
Quinito é uma figura. Como treinador do Braga, veste-se de gala (fraque) para a final da Taça de Portugal-82 com o Sporting. Como treinador do FC Porto, em 1988-89, diz que a táctica é Gomes e mais dez.
E como jogador? Bem, alto lá e pára o baile. Como jogador, Quinito é também uma figura. Um aventureiro. Começa na Académica, passa para o Belenenses e depois descobre o estrangeiro, em Santander, com o Racing, em 1975. No ano seguinte, recebe a visita do guarda-redes Damas._Pronto, aí está a primeira dupla de portugueses no estrangeiro.
Na liga espanhola, Quinito marca seis golos em 72 jogos. Na despedida, o médio português dá esta entrevista frontal. Imperdível.
Como define a sua passagem pelo futebol espanhol?
Positiva.
A adaptação fói fácil?
Muito difícil. Quando cheguei a Santander, era o único que fumava e bebia. Reconheço que foram os empregados dos bares aqueles que mais se esforçaram por integrar-me na sociedade espanhola. No final da aventura, já era um espanhol mais.
Quando voltou a Portugal, era um milionário?
Ganhei muito dinheiro mas também gastei muito. Gosto de viver o presente e não pensar no futuro.
Falemos do futebolista espanhol...
Em Espanha, o jogador de futebol ainda é mal visto na sociedade espanhola porque é desvalorizado e tido sem cultura. Por isso, acho muito bem o movimento de futebolistas de se juntarem para formar uma associação. Nessas reuniões, juntam-se grandes fenómenos, como Cruijff e Pirri, com ‘hombres’ da 3ª divisão.
Fala-se muito das irregularidades no futebol espanhol._Alguma vez jogou drogado?
Não posso assegurar. Não sei se o cognac que tomávamos por intermediários era realmente cognac ou havia extras.
Tomavam cognac?
Sim. Em Santander, havia muito frio e era normal beber brandy ou café. O que não posso assegurar é se essas bebidas estavam adulteradas ou não.
Que papel tem o dinheiro na organização do futebol espanhol?
É o mais importante. O dinheiro compra tudo: jogadores, árbitros, jogos, etc...
Alguma experiência pessoal?
Uma, e quero esclarecer que estava envolvido nela com um companheiro português. Há dois anos, no último jogo da liga, o Santander estava obrigado a ganhar ao_Salamanca para salvar-se. Eu e o Damas falámos com o João_Alves para ver o que se podia arranjar. Alves disse-nos que a sua equipa nunca iria baixar a guarda e que entrariam em campo para ganhar. Isto demonstra, sem dúvida, a honestidade de Alves e dos seus companheiros.
E como terminou o jogo?
Ganhámos nós, e curiosamente com um golo de Rezza, na própria baliza. Imagine a confusão que se montou... O que está claro é que existe em Espanha uma enorme organização à margem dos jogadores. Os directores compram e vendem jogadores. Tudo se adquire com dinheiro. Em mais de uma ocasião, sabia-se que o árbitro estava comprado mas faltavam sempre provas para denunciá-lo.



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