No ano de estreia na Luz foi afectado por problemas físicos mas tempo de utilização tem subido sempre. Agora renovou
A novela que trouxe Aimar para o Benfica teve muitos episódios. Luís Filipe Vieira e Rui Costa queriam-no para oferecer a Quique Flores, mas o internacional argentino era desejado por outros clubes. O Newcastle intrometeu-se na luta e o Saragoça foi adiando até perceber que estava a aceitar a melhor proposta possível. Numa fase em que os encarnados ainda não estavam com uma boa situação financeira, 6,5 milhões de euros por Aimar foi considerado um risco. O Benfica não estava na Liga dos Campeões e as receitas estavam longe de ser as actuais. Ainda assim, os encarnados arriscaram. E agora vão petiscando.
Quase quatro anos depois de ter assinado, Pablo Aimar está num dos melhores momentos da carreira. É certo que teve uma primeira época com sobressaltos, com o tempo de utilização a ser calculado meticulosamente para evitar recaídas musculares, mas com Jorge Jesus deu-se a viragem. Os minutos jogados na época têm subido progressivamente (2194 em 2009, 2547 em 2010 e 2988 em 2011). Em fim de contrato, o River Plate chamou por ele, mas Vieira não o deixou fugir. E foi assim, com um acordo fácil de alcançar, que o argentino fica ligado ao Benfica por mais uma temporada.
Em quatro anos, Aimar tornou-se um favorito dos adeptos. No início, Maradona afirmou que valia a pena comprar bilhete só para o ver jogar. Os adeptos, até os que ainda não estavam convencidos, foram atrás. O sistema introduzido por Jorge Jesus deu outra dinâmica ao ataque e passou a depender muito da magia e da criatividade de Aimar. Até na quantidade de golos se notou a diferença. Com Quique Flores, o médio marcou dois num total de 29 jogos. Daí para cá, 40-5 e 46-7. Este ano leva três golos em 28 jogos e tem um apoio de banco (com alternativas de luxo) de que ainda não tinha beneficiado noutras épocas.
O futebol moderno tem tendência para desprezar os jogadores mais velhos e pensou-se que Aimar vinha para Portugal numa fase descendente, com as pilhas gastas. Se o estavam, percebe-se agora que são recarregáveis e estão perto da capacidade máxima. Aimar ainda só fez quatro jogos completos (Twente na Luz, Paços de Ferreira na Mata Real, Marítimo na Madeira e na Luz), mas tem sido capaz de jogar com a regularidade que não conseguia dar no início.
E se o Benfica está a apostar no futuro, com várias contratações de jovens, a renovação é mais um sinal de que o núcleo duro é para manter. Antes de Pablo Aimar, também o uruguaio Maxi Pereira e o argentino Javier Saviola renovaram durante a época. E Luisão também já o tinha feito, em Julho. É assim que está a viver o Benfica, com um olho no presente e outro no futuro.
Benfica-Nacional, este sábado, às 20h30 na TVI. Antes, às 18h30, Marítimo-Sporting na Sport TV1



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